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ALEMANHA 2006

REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

Viagem aos campos alemães de futebol

A crônica Fotos

 

Ganhou de Gana... e daí?

 

Ulisses Iarochinski

27 de junho de 2006

O dia amanheceu triste, frio. Muito diferente do cair ensolarado do dia anterior. A torcida brasileira passeava pelas ruas centrais de Dortmund a espera da partida contra a única seleção africana classificada para segunda fase.

O telão do estádio antes da partida anunciava uma temperatura de 18 graus centígrados e 44 por cento de umidade relativa do ar.

Uma charanga brasileira atrás da trave de Dida fazia algum alvoroço. Mas no estádio, que parecia tomado pela torcida de Gana, só se ouviam assobios e urros dos ganeses.

O escritor Luis Fernando Veríssimo, sozinho na tribuna de imprensa, lendo a escalação das equipes.

 

 

Raro momento do Brasil no ataque, Ronaldinho Gaúcho desperdiçou a cobrança de falta que Roberto Carlos tinha tudo para fazer

Voltaram a jogar mal

Tempo, temperatura, torcida! Isso para não dizer que a insistência do técnico Parreira em colocar seu time preferido em campo é o fim da picada.

Ronaldo fez o primeiro gol da partida e entrou para a história dos mundiais. Com os três marcados nesta copa, ele chegou aos 15 gols. Supera assim Gerd Muller e se torna o maior goleador da história.

Zé Roberto que fica apenas mascando a bola no meio de campo, no final faz seu gol, quase sem querer, pois o goleiro ganês que havia saído bem numa jogada anterior semelhante dessa vez errou. Zé Roberto por isso acabou sendo eleito pela FIFA o melhor jogador da partida.

Ah! sim o segundo gol foi marcado por Adriano, que enquanto esteve em campo pegou efetivamente na bola cinco vezes. Uma, em que ele poderia ter passado a bola para Ronaldo, que estava sozinho; a segunda, em que fez o gol e as demais, todas ele entregou errado. Parece que o gordo do time é o desengonçado imperador de Milão e não o maior artilheiro das copas. Parreira deve ter visto isto e para não queimar o jogador preferiu colocar Juninho Pernambucano em seu lugar.

Foi Juninho entrar em campo e a seleção passar a rolar mais a bola e ter mais o controle do jogo, pois o que se viu na partida inteira, foi Gana jogando como a seleção brasileira de 82. Na retranca de Parreira, os jogadores saem em disparada em direção ao gol adversário a partir do grande círculo central; Kaká é pródigo nesse tipo de jogada. Zé Roberto é outro, que de tanto dar estas escapadas acabou fazendo o terceiro gol.

No final do jogo, Parreira em entrevista coletiva, reconheceu que Gana teve maior posse de bola e por pouco não complicou as coisas. O próprio treinador admitiu que o time queria resolver as coisas com muita pressa e por isso Gana se aproveitava e fustigava a zaga brasileira.

Mas se esse não é o jogo, não é a tática, não é a estratégia de Parreira, porque o time ficou lá atrás esperando o adversário, deixando-o jogar? Será que Zagalo, às escondidas, tem prevalecido nas orientações à equipe?

O time de reservas que ganhou do Japão, além de muito mais brilhante, contagia muito mais. Assim conseguimos ver um jogo de futebol, que o mundo e os brasileiros esperam.

Parreira trouxe para esse jogo a mesma equipe do primeiro jogo contra Croácia. Ou seja, com os dois velhos na lateral, os dois pesadões na frente, a dupla de destruidores na contenção e dois meias que não constroem.

Roberto Carlos e Cafu fizeram um jogo particular. Como a bola não chegava até eles, quando tinham a posse tratavam de cruzar um para o outro.

Um jornalista argentino ao meu lado, falando ao vivo, através do celular, para uma rádio de Buenos Aires, fez o seguinte comentário para seus ouvintes portenhos: "Viemos aqui para ver Ronaldinho Gaúcho jogar e no entanto nos deparamos com esta enfiada espetacular de Kaká e a arrancada e drible de Ronaldo na feitura do primeiro gol".

O mesmo argentino comentaria para mim o segundo gol, dizendo que em cinco toques rápidos usando diferentes jogadores, o Brasil saiu de sua defesa e fez o gol.

Mas e daí? Ganhou de Gana e jogou feio, aliás não jogou. Mas é isso o que prefere Parreira. Na mesma entrevista ele disse que: "A história fala dos campeões, não de quem joga bonito. Ganhamos cinco vezes e estamos a caminho de mais um".

Engana-se o técnico brasileiro. A história fala sim do jogo bonito. Fala da fabulosa seleção brasileira de 82. Fala da incrível máquina húngara de 54, que não só jogava bonito, mas encantava.

E é justamente a história que coloca a seleção de Pelé e os tricampeões do México, como a melhor de todos os tempos. Seleção que foi campeã jogando bonito.

O título de 94 é lembrado apenas como a copa do Romário, já que só o baixinho se salvou naquela retranca armada por Parreira.

Bom, o Brasil vai para a próxima fase... Mas certamente não será fácil vencer com esse time, ainda mais que vem aí Henry, Barthes, Trezeguet e Zidane. É rezar para que Parreira coloque Juninho, Gilberto Silva, Cicinho, Giberto e que Robinho se recupere.

P.S. A tribuna de imprensa também é local de desfile de antigas personalidades do esporte como Tostão, Desaily, Leonardo, Altafini Mazolla e globais como Pedro Bial, Marcos Uchoa, Xexéo, Antonio Maria, Ronai, Ancelmo Gois e Luis Fernando Veríssimo. Os jornalistas estão em boa companhia.

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