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ALEMANHA 2006

REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

Viagem aos campos alemães de futebol

A crônica Fotos

 

Escrito há 4 anos...por que a surpresa?

 

Ulisses Iarochinski

02 de julho de 2006

Quando Felipão, ou Luís Felipe Scolari, após o título no Japão, anunciou que não continuaria mais no comando do escrete canarinho do Brasil, o sonho do hexacampeonato na Alemanha acabava. E a confirmação disto viria com a escolha de Carlos Alberto Parreira.

Assim a derrota para a França no funcional estádio de Frankfurt, na noite deste primeiro sábado de julho, não foi surpresa. Talvez tenha sido para o próprio técnico da seleção brasileira, que na entrevista coletiva, logo após o jogo, disse não estar preparado para sair do torneio antes de chegar a final. As enganosas vitórias na Copa das Confederações e o primeiro lugar vitalício na classificação de países da FIFA criou a expectativa de uma fácil caminhada rumo ao título de hexacampeão.

Não se engane, apesar do amarelo, aí só tinham alemães, outros estrangeiros e uns gato pingados brasileiros que vieram tirar fotografia e dizer: "Eu fui na copa". Mas torcer e incentivar que é bom...nada!

 

 

Ao final do jogo, enquanto o jornalista Clovis Rossi da Folha de São Paulo, batia palmas para os franceses com os olhos cheios d´água, Tostão, o grande herói de 70 fazia suas últimas anotações para a coluna "Agora Acabou".

 

 

Gramado no centro de Frankfurt, onde dormi algumas horas depois de ter assistido Itália X Ucrânia em Hamburgo e ter passado a noite em claro viajando de trem pra Frankfurt para assistir a derrota para os franceses.

Lágrimas de alguns

Além disso, o bicampeonato de Ronaldinho Gaúcho como o melhor do mundo e elogios exagerados de que ele seria o novo Pelé alimentaram o inconsciente coletivo, não só dos torcedores brasileiros, mas também de fanáticos do mundo inteiro. Quando Pelé disse antes da Copa que a seleção de 70 era melhor do que agora. Foi quase xingado por Cafu e Cia. Quando antes deste jogo disse ao jornal alemão, que o Brasil não chegaria a final, mais uma vez os invejosos da majestade se ouriçaram. "Pelé só fala bobagem" é o que bradaram. "Melhor ele ficar calado!" disseram outros. Pelé não estava errado.

Como uma das tantas vozes dissonantes, nesses últimos quatro anos, fui repreendido, taxado de ignorante do futebol, tudo por que ousava comentar que o título de 1994, nos Estados Unidos era responsabilidade de uma única pessoa: Romário. "Que é isso?  A seleção tetracampeã tinha Bebeto e Taffarel também" insistem os entendidos. Esta bem! Para que discutir?

Quem esteve na Califórnia e quem acompanhou aquela seleção pode ver a retranca e o desconforto com o espetáculo e com o bom futebol, que Parreira costuma dirigir suas equipes.

Não bastasse isso, a presença de Zagalo no banco já era prenúncio de derrota. O ponta esquerda recuado tem em seu currículo os vexames de 1974, nesta mesma Alemanha, e 1998, na França, na convulsão de Ronaldo. Não adianta ele reivindicar o tricampeonato, pois aquela seleção de ouro teve outro técnico: Saldanha! Na falta do jornalista, os próprios jogadores liderados por Gérson e Pelé deram conta do recado. E que recado? Nunca antes e nem depois existiu uma seleção tão maravilhosa.

Nestes últimos quatro anos, talvez a grande virtude de Parreira tenha sido tirar Rivaldo de campo. Jogador responsável pelo "Joga Feio" do Brasil durante anos ele era o amarra jogo.

É preciso será que fique claro, que quem ganhou no Japão foi Felipão e os gols de Ronaldo? Ai! Que saudades do tempo em que ele era só Ronaldinho, o único Ronaldinho, diga-se de passagem. O gaúcho, em que pese, os títulos tem muito que correr e mostrar, principalmente em Copa do Mundo, para poder ser chamado como aquele Ronaldinho, que jogou no PSV, Barcelona e Seleção do Felipão.

Talvez a derrota desta noite tenha seu início até bem antes. Quando aquela seleção olímpica de Luxemburgo deu vexame nas Olimpíadas da Austrália e o único crucificado (além do técnico) foi Alex. O Ronaldinho Gaúcho, apesar de estar no mesmo barco, saiu ileso para a seleção principal. Alex teve que acompanhar várias vezes seu nome ser excluído das convocações seguintes.

Talvez seja preciso explicar quem é este Alex, com tantos pernas de pau que existem por aí com o mesmo nome.

Este Alex, nasceu em Colombo, cidade da região metropolitana de Curitiba. Coxa-branca de formação e coração, mesmo que palmeirenses, cruzeirenses e fernerbachenses o tenham adotado como ídolo.

Com Alex no time, o Brasil foi campeão da Copa América e reverteu aquela humilhação que os argentinos abusaram fazer na decisão, em poucos minutos. Está bem, Adriano fez os gols e conquistou seu lugar na seleção da Alemanha, mas será necessário recordar que o capitão e grande líder e maestro daquela equipe atendia pelo nome de Alex?

De repente inventaram um quadrado mágico com Adriano e Kaká, juntos aos dois Ronaldos, graças ao poder de fogo de Milan e Internazzionale e esqueceram que o verdadeiro craque brasileiro da atualidade é Alex... sim, o meio campista artilheiro. Campeão e artilheiro do Cruzeiro, Palmeiras e Fenerbach.

Por que estou falando de Alex? Por que ele fez a diferença nesta Copa. Sua ausência no meio campo da seleção de Parreira foi a mais sentida de todas.

A seleção podia ter a segurança de Dida, Lúcio e Juan. Podia ter Ronaldo, o maior artilheiro da história das Copas. Mas não teve meio de campo.

E não custa lembrar aquela frase famosa: "Cadê o ponta Telê?". Isto para dizer que com dois trombadores lá na frente, dois zagueiros e dois volantes o Parreira abdicou dos pontas e pior dos laterais avançadores.

Ronaldinho Gaúcho, por causa de seus troféus, foi ungido por Parreira, mestre e condutor dos canarinhos. Como ele não tem cacoete para apresentador de circo, apenas para brilhar sob a luz dos holofotes com seu malabarismo, a vaca foi literalmente para o brejo.

Ao seu lado, o gaúcho ganhou a companhia de Zé Roberto, que surpreendentemente não comprometeu, mas também não ajudou em nada na vitória. Pode ter cercado muito, ganho duas vezes como melhor em campo. Mas efetividade? Nenhuma.

Emerson é aquilo ali mesmo, seja na seleção, na Juventus, na Roma, no Grêmio: um quebrador de bola. Mas nada que comprometa, pois seu padrão e função estão adequados ao que se espera dele.

Kaká. Mas quem foi que disse que o jogador são-paulino só porque foi transferido para o Milan tem que jogar na seleção? O Galvão Bueno? A Nike? O Berlusconi?

Tá bom! Kaká é um bom jogador, mas craque? Meia da Seleção? Organizador de jogadas? Não! Isso não é função para ele, nem para Ronaldinho Gaúcho, muito menos para Juninho Pernambucano, ou Ricardinho.

Mas se este jogador tão necessário no meio de campo nesta seleção brasileira que veio a Alemanha ficou em casa, como é que podíamos sonhar com o hexa?

As seleções vitoriosas brasileiras, mesmo que tenham tido o gênio de Pelé, a maravilha de Garrincha, o diamante de Leônidas, de Tostão, Rivelino, Zico sempre tiveram a maestria de um Didi, um Gerson, um Falcão e também nunca faltou um líder, como foram Zito, Gérson e Dunga.

O único nesta seleção trazida por Parreira a Alemanha para esta função ficou no banco. Rogério Ceni, campeão da Libertadores, Campeão do Mundo no Japão, exímio batedor de faltas e inigualável defensor de pênaltis era o comandante que faltou dentro de campo. Mas ele foi convocado pelo povo, não por Parreira. Por causa disso, nunca se viu uma seleção tão calada como a de agora.

Ah! sim, Roberto Carlos fala até pelos cotovelos, andou até dando um bronca no Robinho, naquela infantilidade do craque santista no jogo contra o Japão. Mas daí, a líder dentro das quatro linhas vai uma grande distância.

Claro, muitas outras razões fizeram com que o Brasil voltasse para casa mais cedo. Seria reduzir muito a falta de Alex e Rogério Ceni em campo para explicar a derrota.

O Brasil perdeu um Frankfurt porque menosprezou Zidane e Thieri Henri e esqueceu de Robery e Vieira (filho de um português como uma senegaleza).

Zidane mostrou que encanto e magia não é privilégio apenas de brasileiro. Um filho de árabes nascido em solo francês também pode ser agraciado com as bênçãos dos deuses do futebol. Que categoria, que inteligência, que picardia (deu dois chapeuzinhos, um em Ronaldo, outro em Roberto Carlos) e ainda dizem que ele está velho e lento. O que? Queriam que ele desembestasse sozinho como faz o egoísta Kaká?

Zidane não precisa disto, ele é um mestre e já tinha provado isso oito anos atrás em Paris.

A esperança do Brasil em 2010 e 2014 de conquistar o hexa, desde já são mínimas. Com Ricardo Teixeira, com técnicos retranqueiros (Parreira, Zagalo) e exaltação das qualidade de mitos criados pela propaganda, nunca seremos campeões. E para encerrar esta frustrante noite, não porque perdemos com esse time, mas porque não houve empenho nem no campo, nem nas arquibancadas, mais uma vez os brasileiros que vieram a campo decepcionaram. Em muito menor número os franceses deram uma aula de como se incentiva uma equipe.

Ah. O aeroporto de volta ao Brasil é aqui mesmo, pertinho do estádio de Frankfurt. Durante todo o jogo passaram levantando vôo pelo menos 6  aviões intercontinentais.

Na tribuna de honra estiveram, o presidente francês Jacques Chirac e a chanceler alemã. Nem por isso foram criticadas. Fizesse isso o corintiano Lula teria sido um absurdo para os desafetos.

E agora é torcer para que os brasileiros Felipão e Deco possam levantar o caneco e inscrever Portugal na lista dos campeões mundiais. O resto é desculpa de quem incensou Parreira, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano.

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