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ALEMANHA 2006

REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

Viagem aos campos alemães de futebol

 

A crônica Fotos

 

Forza Azzurri, a la Final

 

Ulisses Iarochinski

04 de julho de 2006

Foi diferente chegar a Dortmund desta vez. Nas três vezes anteriores o clima era mais ameno. Não só pela temperatura, mas porque desta vez a cidade estava mais policiada. Já na estação de trem se percebia a presença também de soldados. E quem iria jogar seriam os donos da casa.

Os funcionários públicos foram dispensados de trabalhar pelo governo para este dia. Não devido ao jogo, já que este seria às nove da noite, mas sim pelo calor previsto. Sim, na Alemanha do frio, quando é verão, se faz calor, os trabalhadores são dispensados de trabalhar.

Mas vamos ao jogo. Um gritaria infernal dentro do estádio. Os alemães compareceram em peso e pareciam querer ganhar a copa, não só na bola, mas também no grito. Ensurdecedor! Ao ponto de não se poder conversar com a pessoa ao lado. Havia momentos que era necessário tapar os ouvidos.

A pequena torcida italiana no canto esquerdo não conseguia se fazer ouvir.

Começa o jogo. Totti chuta uma cobrança de falta aos 3 min, mas Lehmann defende com tranqüilidade. Até os quinze minutos o jogo esteve indefinido. Mas a Itália leva perigo em constantes estocadas. Por sua vez a Alemanha demonstra maior ímpeto e espírito de luta.

Aos 20 min, Podolski tenta de voleio. Se acerta essa ele certamente se consagraria na copa com o gol mais bonito. Mas a bola sai muito alto, acima da trave. Schneider entra livre e chuta por cima aos 34 min. o jogo segue enrolado, parece uma partida de xadrez, onde os técnicos movem suas peças com lentidão.

Antes de começar a partida era só esperança. Os alemães cobriram as arquibancadas com sua bandeira feita de placas coloridas de papel.

 

 

Depois foi um silêncio sepulcral nas arquibancadas. O meia Schweinsteiger chorava. A equipe italiana já havia saído, mas os alemãs estavam estendidos no campo.

 

 

A vitória é intensamente comemorada pelo goleiro Buffon junto a pequena, mas feliz torcida italiana. Os tiffosi eram só alegria e Buffon desesperadamente contente.

 

 

Bianca e Marco comemoram a vitória da Azzurra nas ruas de Hagen.

 

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As oriundi Daniela e Giussi me fizeram dançar a Tarantella na quente madrugada de Hagen.

 

 

Gol de Grosso

Mas a rispidez também. O alemão, descendente de polacos, Borowski por uma entrada feia por trás em Totti leva cartão amarelo aos 40 min. Camoranezzi por cima, de cabeça, aos 41 min, tenta. Mas a bola vai fora. Não aproveitou a cobrança de falta perfeita de Pirlo.

Termina o primeiro tempo em zero a zero. Futebol de toque de bola, de marcação, com uma mentalidade que privilegia a defesa e não o ataque. Um primeiro tempo aborrecido.

Começa o segundo tempo e o clima só é quente mesmo nas arquibancadas com os hurros alemães. Impossível escutar qualquer coisa. Klose invade a grande área e caiu justo em frente do goleiro italiano.

Logo em seguida, escanteio para a Itália aos 11 min. Mas depois da cobrança Lehmann sai muito bem e neutraliza qualquer ação italiana. Aos 11 min Metzelder entra por trás num italiano. O juiz da cartão amarelo para o alemão.

Mas as coisas melhoram quando Podolski vira rápido e Buffon tem dificuldade para defender aos 18 minutos do segundo tempo. Também aos 18 min, o alto Borowski sai para a entrada de Schweinsteiger. Um minuto depois, na equipe da Itália sai o grandalhão Toni e entra Giliardino.

Materazzi aos 24 min tenta de cabeça... Mas nada!

Aos 37 entra o baixinho Odonkor na equipe alemã. Lá vem correria pela ponta direita e cruzamentos perigosos. É a tentativa do técnico Klissmann definir a partida.

Em seguida Totti, livre no meio campo, da uma linda puxada e coloca Perrota para correr, que corre, corre muito, mas para antes da grande área. Faltam 8 minutos para acabar uma partida monótona. Sem lances geniais, sem nenhuma contribuição ao espetáculo do futebol.

E o jogo termina em zero a zero. Vem aí a prorrogação e a certeza de que o jogo deve ir para os pênaltis. Lehmann deve estar com outro papel nas meias com os nomes dos batedores italianos. Mas do outro lado está Buffon, considerado o melhor goleiro do mundo na atualidade. Buffon dos escândalos da máfia italiana de futebol.

Aos 15 minutos da prorrogação, antes que o juiz apite, Ianquinta faz tudo direito. Invade a área, dribla, chuta com força, mas a bola bate no travessão, e corre faceira por toda a extensão da linha de gol e vai para o outro lado. Ninguém da Itália estava posicionado.

Recomeça o segundo tempo, agora o da prorrogação. Logo aos 2 minutos, Zambrota de fora da área dá um chutão, a bola bate de novo na trave. A Itália demonstra finalmente que veio para ganhar. Os jogadores alemães já não conseguem andar em campo de tão cansados.

A Alemanha ainda tenta alguma coisa com Lahm pela esquerda... é falta. Sai Perrota e entra finalmente o astro italiano da Juve, Del Piero.

Podolski ainda é o único que tenta alguma coisa pelo lado dos alemães. Perde a chance de sua vida. Cabeceia para fora. Sai Klose e entra Neuville.

A Itália cresce em campo, agiganta-se. Se é para ter um vencedor esta partida, a Itália já faz por merecer pelos últimos dez minutos. Correria de Del Piero. Logo em seguida, de novo, o bambino de oro, chuta para fora. A Itália é só ataque. Pirlo chuta forte e Lehmann defende com dificuldade colocando para escanteio.

GOOOOLLLL de Grosso. Logo de Grosso, que de ruim não tem nada. A Itália comemora. Jogadores invadem o campo. Mas ainda não é o apito final. Bola recolocada ao centro do campo. Alemanha vai para o tudo ou nada. Mas já não tem forças.

GOOLLLLL... é a Itália de novo, desta vez é um golaço. De quem? Dele. Dez minutos na Copa e Del Piero coloca a Itália da final de Alemanha 2006.

"Deutschland" grita a torcida alemã. Ninguém sai do estádio. Italianos comemoram. Os auto-falantes anunciam o melhor em campo: Pirlo.

O sonho do tetracampeonato alemão se acaba. Do outro lado a Azzura sonha com seu tetra. Os alemães foram longe demais nessa copa. A Itália sob o comando de Marcelo Lippi está na final.

A noite não acaba. O trajeto do estádio a estação central é marcado pelo silêncio. Os alemães vão para casa em silêncio. O trafego é lento. Perco os dois primeiros trens para Hagen, meu QG, na Alemanha.

Finalmente consigo subir em um trem que vai para Hagen. Chegando na cidade da roqueira me surpreendo com uma pequena multidão que faz muito barulho. Aproximo-me e logo diviso meus anfitriões alemães. Marco e seus amigos italianos foram para frente da estação cantar e dançar a tarantela. Sou envolvido pelo grupo, que desejam fotos.

- "Ulisse, por favore una foto de nui. Altra mas"

E de foto em foto os minutos vão passando, consigo chegar na cama para dormir só as quatro da madrugada. Poucas horas de sono me esperam, logo de manhã, mais uma viagem. Desta vez para a distante Munique. É hora de acompanhar Felipão e os portugueses na vingança brasileira contra a França.

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