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JOSÉ MARIA SANTOS
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| SEUS
AMIGOS |
Olha... são tantos! Mas tantos que só não é menor
que o número de inimigos. Polêmico, o Zé Maria parece não gostava do papel de
unanimidade. Ou se estava com ele, ou se era contra ele. Mas generoso, sabia perdoar e
até relegar os desafetos, para iniciar um novo ciclo de relacionamento.
Foram tantos os amigos que muitos vão ficar
descontentes pelo nome não aparecer aqui: Irineu Adami, Lineu Portela, Mauricio Távora,
Sansores França, Alcyr Bay (infelizmente também falecidos) ...
Seu temperamento, inquietude e ironia podem ser
melhor avaliados depois da leitura da conversa entre ele e o autor do espetáculo, que deu
a Zé Maria reconhecimento nacional. Sérgio Jockyman manteve bate-papo com o ricaço ator
José Maria Santos num local bastante insólito, o mictório público da rodoviária de
Alegrete, no Rio Grande do Sul:
- Zé Maria - O zíper enguiçou...
- Jockyman - Bem feito, quem manda ter mudado o texto
do "Lá", enchendo de palavrão.
- Zé Maria - Também, tu só escreve palavrinha, a
começar pelo título das peças: Lá, Treze, Só...
- Jockyman - Que meada gostosa, não tava me
agüentando mais...
- Zé Maria - Tu tava era mijado de tanto rir.
- Jockyman - Vi dizer que tu ficou rico com o Lá,
tchê.
- Zé Maria - Claro, fiz 1800 apresentações.
- Jockyman - Então por que não recebi sequer um
tostão de direito autoral ?
- Zé Maria - Dane-se, a SBAT deve ter ficado com a
grana toda. Eu tenho todos os recibos aqui, quer ver?
- Jockyman - Dá, que me limpo com estes recibos.
- Zé Maria - Usa só do lado que não está escrito,
tá. E me devolve.
- Jockyman - Ando numa bananosa federal, correndo de
um advogado para outro, em busca dos meus pobres dinheiros. Como tu sabe, o Correio do
Povo fechou e não paga há meses.
- Zé Maria - E eu com isso.
- Jockyman - Exatamente é aí que você entra em
cena. Tá aqui o texto do "Treze". Tu monta a peça e eu livro uns cobres.
- Zé Maria - Quer dizer que você vai me cobrar?
- Jockyman - Se tu não montar o "Treze" eu
te tranco nesta privada. E olha que essa privada fede uma barbaridade.
- Zé Maria - Mas vai ter público?
- Jockyman - Esse "Treze" merece o nome que
tem. Em Porto Alegre escolhi mal o teatro, não fiz divulgação e escolhi mal os atores.
O público foi para ver uma coisa e viu outra. Já no meio da estréia, eu senti o drama.
- Zé Maria - E o Goulart?
- Jockyman - O Paulo faturou o que quis em São Paulo.
Mas ele se enganou também, dividiu a peça em dois atos para os cariocas e o... Fui
assistir no Rio e, com toda modéstia, tava medonha.
- Zé Maria - Ô, alemão, quer dizer que agora tu
quer botar no meu.
- Jockyman - Bueno, só tu pode salvar o
"Treze" de uma zebra. Ele não é uma comédia burguesa. Portanto, não pode
agradar o público burguês, por que ela é basicamente uma parábola sobre a situação
nacional. Em São Paulo ela teve o público certo. No Rio e em Porto Alegre recebeu o
público errado.
- Zé Maria - E tu quer que eu procure o público
certo? Mas aonde , Meu Deus!
- Jockyman - Não mete Deus nisso, porque é Ele que
fica pondo as zebras, só pra gente não ganhar...
- Zé Maria - Vamos fazer uma fezinha?
- Jockyman - Eu aposto na tua montagem e fico torcendo
descaradamente pelo teu sucesso. Mas desta vez, vê se me paga e não fica fazendo estes
recibos falsos."
Naturalmente este diálogo é uma invenção. O
texto é de autoria do próprio Zé.
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