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Felipão fez tudo, mas...não entra em campo! Não porque ele tenha entrado dentro das quatro linhas. Mas porque como nenhum outro técnico no panorama mundial influi no comportamento dos jogadores durante a partida. Aliás, ele esteve quase 95 por cento do jogo na beira de uma dessas linhas. E como atuou! Ouviam-se suas orientações para Figo, Deco, Costinha, Miguel e Cristiano Ronaldo. Chegava ao ponto de dizer: "Cristiano chuta pra frente, não pro lado". Portugal com ímpeto, com garra, não dava espaços para o astro francês fazer firula e muito menos armar sua equipe. Não era mais o mesmo Zidane que brincou com seus amigos brasileiros Ronaldo, Roberto Carlos e Cicinho na derrota brasileira. A rigor a França só atacou até conseguir o pênalti convertido por Zidane. No mais, Portugal teve 62 por cento de domínio de bola e chutou mais vezes a gol. Os franceses com o um a zero no placar ficaram o tempo todo com dez jogadores atrás, nem o rápido Robery fez companhia ao solitário Thierry lá na frente. Até os vinte minutos parecia que o juiz estava beneficiando os portugueses, mas ledo engano. Depois da acertada marcação do pênalti, ele só marcou a favor da França. Felipão se desesperava na frente do banco de reservas. olhava para o banco francês e fazia um gesto com a mão direita, postada ao longo do corpo, caracterizando que Portugal tinha sido "garfado" pelo mesmo uruguaio responsável pela lambança que deu o título para o Nacional de Montevidéu no último campeonato. A torcida francesa, em maior número no estádio, alternava o canto da Marselhesa com vaias à Cristiano Ronaldo. A diminuta torcida portuguesa respondia com gritos de olê, ola como incentivo... Ou repetindo "Portugal", "Portugal". Numa das vezes gritou longamente: "Felipão", "Felipão", "Felipão". O brasileiro fez de tudo que estava ao seu alcance para que os portugueses pudessem chegar a final. Mas em campo Pauleta e Postiga não jogariam nem na terceira divisão brasileira. Deco não conseguiu se impor na partida. Figo, isolou-se na ponta direita e teve a bola no gol, pelo menos em três oportunidades, mas dispensou todas elas. Sobrou a garra, a disposição, o amor à camisa, à nação de um Miguel, Maniche (não conseguiu chutar como queria ao gol, mas se entregou) e da zaga. No final do jogo, Felipão ao ser questionado sobre a arbitragem, na entrevista coletiva, negou-se a falar do assunto. Mas com ironia e sem falar claramente as palavras que todos queriam ouvir, denunciou o árbitro uruguaio como ladrão e não deixou escapar nem mesmo a Itália, dizendo que os italianos além de fortes sabem ganhar não só dentro de campo, mas como, principalmente, fora. Para meio entendedor, o técnico brasileiro acusou sem piedade os esquemas de manipulação de resultados. Se a FIFA quiser pode suspender o brasileiro por ironias infundadas, ou então, como seria mais natural, investigar. Pois mais claro, só se Felipão desse nome aos bois. Ele não discute se foi pênalti, ou não, sobre o Thierry. "Acho que foi mesmo. Tanto foi que o juiz marcou e ele sabe das coisas. Como também acho que foi pênalti a favor de Portugal e ele não deu. Mas como ele sabe das coisas..." e deixou no ar para quem quisesse completar a frase. A França chegou a final, mas quanta dificuldade ela passou, principalmente na primeira fase, quando quase voltou para casa mais cedo. Mas a partir da vitória contra a Espanha, ninguém mais segurou Zidane. A França voltou a encantar com seus craques, que sabem exatamente que o palco mais apropriado para brilhar é a copa do mundo e não um simples torneio europeu. Ronaldo que levou até chapeuzinho do francês que o diga. Certamente a final da Copa da Alemanha não será aquilo que os torcedores do mundo inteiro esperam do futebol: Arte e espetáculo. Pois jogar bonito é primordial... Pois como disse o notável português Fernando Pessoa: "navegar é preciso...viver não é preciso." Talvez ele escrevesse: Jogar bonito é preciso... Vencer não é preciso." Viu "Seu" Parreira! |
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