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ALEMANHA 2006

REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

Viagem aos campos alemães de futebol

A crônica Fotos

 

E Portugal tentou, tentou... mas

 

Ulisses Iarochinski

05 de julho de 2006

Voltei mais uma vez a Munique só para torcer para Luís Felipe Scolari e Deco. Munique era a sede mais distante. mas ainda assim valia a pena torcer para Portugal contra Zidane e seus companheiros.

A viagem de Dortmund até Manheim, no moderno trem ICE, que atinge 300 km por hora até que foi tranqüila. O que não se esperava é que na troca a primeira classe estivesse completamente lotada e reservada. Tinha tanta gente, que nem os corredores foram suficientes para abrigar o grande número de passageiros. DB empresa alemã de trens não esperava por essa. Acabou eliminando paradas, mas mesmo assim, o trem chegaria com meia hora de atraso na estação central de Munique.

Nova correria, agora para entrar, nos ônibus de imprensa, que nos levaria ao estádio. Não havia lugar para se mexer dentro daquela fornalha ambulante. Para piorar ainda as coisas, o motorista acabou deixando os jornalistas numa entrada do estádio, oposta ao acesso dos jornalistas. Enfim no centro de imprensa, mas que tumulto. A FIFA, ou os organizadores alemães não previram a multidão de jornalistas para esta partida de semifinal.

Mas vamos ao jogo que é o que interessa, ou melhor... Vamos ao show do brasileiro Felipão. Sim, por que embora estivessem em campo estrelas como Zidane (que menosprezou e tirou sarro dos brasileiros no jogo anterior), Thierry Henry, Vieira, Robery, Figo, Cristiano Ronaldo e Deco que deu espetáculo foi Luís Felipe Scolari.

Antes de começar a partida o batalhão de fotógrafos queria imagem de um dos finalistas....e todos esperavam que fosse Portugal.

 

 

Felipão deu um show na beira do campo. Gritou, orientou, xingou, consolou, ironizou, gesticulou. Não só comandou, como torceu e jogou. O mínimo que se espera de um treinador.

 

 

A cena se repetiu várias vezes: Figo diante da zaga francesa. Ao perder pelo menos três gols certos, o astro português enterrou o sonho da nação e deixou de luzir no firmamento do futebol.

 

 

Encontrei Roberto Cabrini da TV Bandeirantes.

 

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O futurístico estádio de Munique viu a Vitória Francesa e a carimbou para a Final.

Felipão fez tudo, mas...não entra em campo!

Não porque ele tenha entrado dentro das quatro linhas. Mas porque como nenhum outro técnico no panorama mundial influi no comportamento dos jogadores durante a partida. Aliás, ele esteve quase 95 por cento do jogo na beira de uma dessas linhas. E como atuou!

Ouviam-se suas orientações para Figo, Deco, Costinha, Miguel e Cristiano Ronaldo. Chegava ao ponto de dizer: "Cristiano chuta pra frente, não pro lado".

Portugal com ímpeto, com garra, não dava espaços para o astro francês fazer firula e muito menos armar sua equipe. Não era mais o mesmo Zidane que brincou com seus amigos brasileiros Ronaldo, Roberto Carlos e Cicinho na derrota brasileira.

A rigor a França só atacou até conseguir o pênalti convertido por Zidane. No mais, Portugal teve 62 por cento de domínio de bola e chutou mais vezes a gol.

Os franceses com o um a zero no placar ficaram o tempo todo com dez jogadores atrás, nem o rápido Robery fez companhia ao solitário Thierry lá na frente.

Até os vinte minutos parecia que o juiz estava beneficiando os portugueses, mas ledo engano. Depois da acertada marcação do pênalti, ele só marcou a favor da França.

Felipão se desesperava na frente do banco de reservas. olhava para o banco francês e fazia um gesto com a mão direita, postada ao longo do corpo, caracterizando que Portugal tinha sido "garfado" pelo mesmo uruguaio responsável pela lambança que deu o título para o Nacional de Montevidéu no último campeonato.

A torcida francesa, em maior número no estádio, alternava o canto da Marselhesa com vaias à Cristiano Ronaldo. A diminuta torcida portuguesa respondia com gritos de olê, ola como incentivo... Ou repetindo "Portugal", "Portugal". Numa das vezes gritou longamente: "Felipão", "Felipão", "Felipão".

O brasileiro fez de tudo que estava ao seu alcance para que os portugueses pudessem chegar a final. Mas em campo Pauleta e Postiga não jogariam nem na terceira divisão brasileira. Deco não conseguiu se impor na partida. Figo, isolou-se na ponta direita e teve a bola no gol, pelo menos em três oportunidades, mas dispensou todas elas. Sobrou a garra, a disposição, o amor à camisa, à nação de um Miguel, Maniche (não conseguiu chutar como queria ao gol, mas se entregou) e da zaga.

No final do jogo, Felipão ao ser questionado sobre a arbitragem, na entrevista coletiva, negou-se a falar do assunto. Mas com ironia e sem falar claramente as palavras que todos queriam ouvir, denunciou o árbitro uruguaio como ladrão e não deixou escapar nem mesmo a Itália, dizendo que os italianos além de fortes sabem ganhar não só dentro de campo, mas como, principalmente, fora. Para meio entendedor, o técnico brasileiro acusou sem piedade os esquemas de manipulação de resultados.

Se a FIFA quiser pode suspender o brasileiro por ironias infundadas, ou então, como seria mais natural, investigar. Pois mais claro, só se Felipão desse nome aos bois. Ele não discute se foi pênalti, ou não, sobre o Thierry. "Acho que foi mesmo. Tanto foi que o juiz marcou e ele sabe das coisas. Como também acho que foi pênalti a favor de Portugal e ele não deu. Mas como ele sabe das coisas..." e deixou no ar para quem quisesse completar a frase.

A França chegou a final, mas quanta dificuldade ela passou, principalmente na primeira fase, quando quase voltou para casa mais cedo. Mas a partir da vitória contra a Espanha, ninguém mais segurou Zidane. A França voltou a encantar com seus craques, que sabem exatamente que o palco mais apropriado para brilhar é a copa do mundo e não um simples torneio europeu. Ronaldo que levou até chapeuzinho do francês que o diga.

Certamente a final da Copa da Alemanha não será aquilo que os torcedores do mundo inteiro esperam do futebol: Arte e espetáculo. Pois jogar bonito é primordial... Pois como disse o notável português Fernando Pessoa: "navegar é preciso...viver não é preciso." Talvez ele escrevesse: Jogar bonito é preciso... Vencer não é preciso."

Viu "Seu" Parreira!

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