ALEMANHA 2006

REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

Viagem aos campos alemães de futebol

A crônica Fotos

FINAL: Os Italianos são os únicos tetracampeões de futebol.

Ulisses Iarochinski

10 de julho de 2006

Sem querer, a caminho do estádio de Berlim me pego cantarolando a música:"Noventa milhões em ação... Prá frente Brasil do meu coração. Todos juntos vamos. Pra frente Brasil. Salve a seleção. De repente é aquela corrente pra frente. Parece que todo Brasil deu a mão. Todos ligados na mesma emoção. Tudo é um só coração. Salve a seleção".

Talvez lá no fundo ainda restava a esperança de ver o Brasil na final contra a Itália, como havia previsto antes de embarcar para a Alemanha. Só pode ser isso! Mas ao chegar no centro de imprensa acabo entendendo o porquê de recordar os versos de Ivo Meireles: Dou de cara com Tostão! Foi uma premonição com certeza. Perdendo a timidez que me acompanhava desde o início da Copa, aproximo-me e peço para ele posar comigo para uma foto.

Enquanto dou o clique na máquina me vêm a cabeça imagens longínquas de uma época em que o futebol era arte e não batalha campal. De um tempo em que fazer gols era primordial e jogar no ataque era comum. Sim... Estou lembrando daquela seqüência de dribles que o fantástico Tostão deu dentro da área na defesa inteira da Inglaterra. Em 1970, era ainda um menino que assistia pela primeira vez ao vivo uma Copa do Mundo transmitida via satélite. No interior do Paraná, a imagem ainda era preto e branco e a TV era a Tupi com Geraldo José de Almeida narrando. Como poderia imaginar naquele 22 de junho que passados 36 anos, estaria ao lado do maravilhoso centroavante, assistindo, em Berlim, a final de uma Copa do Mundo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sob uma chuva de prata, a Itália comemora o título de única seleção tetracampeã do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comandados pelo goleiro Buffon, os jogadores italianos vão ao canto mais próximo dos seus torcedores. O estádio que estava lotado de franceses, de repente ficou apenas italiano.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os grandes telões do estádio anunciaram que haviam sido vendidos 69 mil ingressos, mas eu estava em companhia de pelo menos uns 75 mil expectadores. Só de jornalistas eram 1950, mais os voluntários que trabalharam na copa, mais segurança, pessoal de apoio e etc. Era muita gente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes da partida ainda no centro de imprensa, perdi a timidez e pedi para o grande Tostão posar para uma foto comigo. Ele, muito simpático e humilde sorriu apenas concordando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os torcedores iam chegando ao belo estádio Olímpico de Berlim com muito sol e calor e umidade relativa do ar com baixíssima porcentagem, o que fazia com que a atmosfera da final esquentasse mais ainda.

O jogo

Em campo, o juiz argentino autoriza o início de partida entre os bleus e os azzuros. Tudo azul no mundo da bola. Desde Horácio Elizondo, Camoronesi e Trezeguet da azul Argentina. Tanto o italiano como o francês são argentinos de nascimento.

Não havia passado nem 1 min e Thierry Henri já está no chão desmaiado. Foi atropelado pelo tanque Cannavaro.

Aos 5 min Malouda sofre pênalti e Zidane é encarregado da cobrança. Quando ele finalmente converte, o relógio assinala 7 min. A França sai em vantagem. A continuar a correria e a disputa de bola no meio campo o jogo promete.

Pirlo pela Itália mostra mais uma vez por que já é considerado o  melhor jogador italiano na Copa. Senhor absoluto da meia cancha. O astro Zidane não luz como contra o Brasil. Apesar de Pirlo, o time da Itália ainda não se acertou em campo. Os grandes telões do estádio anunciam que esta é a centésima partida de Cannavaro na seleção Azzurra.

Os minutos passam e a Itália cresce no jogo. Se a França não tivesse feito gol no início, poder-se-ia dizer que quem manda no jogo é a Itália. Seus jogadores dificilmente perdem o domínio da bola.

Resultado disso é o gol que sai aos 19 minutos através do zagueiro Materazzi, que de peito estufa as redes de Barthez. O jogo, apesar disto continua monótono. As duas equipes esperam em seus campos que o inimigo ataque. Mas que nada!

Até os 20 minutos parece haver futebol, depois é aquele jogo aborrecido de retranqueiros. Lippi e Domenech  odeiam fazer gol.

Aos 29 min primeira falha na copa e justo na final. Os telões do estádio se apagam, logo em seguida os centenas de monitores da tribuna de imprensa também. Os telões voltam a funcionar seis minutos depois, já os monitores apenas voltam a funcionar depois do intervalo.

Thierry segue dando suas cotovelas. Pela segunda vez, ele acerta Gattuso de propósito. Os franceses estão nervosos.

O grandalhão Toni ficou sentado na área de Barthez amarrando a chuteira. Para não colocar a Itália em impedimento Pirlo fica controlando a bola. Bastou Toni se levantar e se colocar em posição legal que Pirlo fez um ótimo lançamento, mas o atacante não aproveitou. Em um minuto a Itália teve duas chances de ampliar o marcador aos 35 e 36 min.

Do seu lado, o voluntarioso Ribery, tenta puxar os contra-ataques de sua equipe. Mas fica a ver navios entre dois italianos no córner esquerdo italiano, aos 42 min. A jogada foi muito engraçada e arranca risos dos jornalistas estrangeiros.

O argentino encerra o primeiro tempo com 2 minutos de acréscimo. Mas o empate persiste.

Começa o segundo tempo sem nenhuma alteração para ambos os lados. Já no início, um italiano ao sair de uma jogada atinge com o calcanhar o rosto do francês que estava estendido no chão.

Thierry aos 4 min do segundo tempo invade a área, passando por toda a zaga italiana e cruza, mas Ribery chega atrasado com o gol escancarado a sua frente. Era só empurrar. A França começa melhor o segundo tempo.

O troco italiano só vem aos 8 min quando Perrota não domina a bola dentro da área e perde a chance de fazer o gol. Mas a França está melhor e logo em seguida Zidane e Thierry perdem o gol mais feito da partida. Thierry, só tem aparência de calmo, com suas passadas largas e toques fáceis na bola, pois não demora muito e ele acerta a terceira cotovelada em Gattuso. Apesar de visível, o juiz não vê.

Zidane tenta de primeira aos 12 min. A França pressiona com seus dois craques e esforçados ponteiros. Lippi pressente o perigo e resolve mudar. Totti é uma figura decorativa, nem joga no meio, nem no ataque. Ele sai junto com Perrota para a entrada de Iaquinta e DeRossi.

As substituições dão efeito imediato. A Itália se solta e Toni faz, mas o juiz anula o gol, com o bandeirinha alegando impedimento. Eram decorridos 15 min da segunda etapa. Com o gol, a Itália voltaria para sua retranca para garantir o resultado. Mas não faz e a pressão volta a ser da França. Thierry aos 17 chuta com força, mas Buffon defende.

Mais 3 minutos e Buffon é obrigado a fazer mais uma difícil defesa, depois de um cruzamento francês sobre sua área. Zidane cai e fica ali. O jogo é interrompido. O craque diz que sente o ombro. Depois de atendido é recomeçado o jogo, nisso entra no time da Itália a esperança de gol: Del Piero, que estava se aquecendo desde os 30 min do primeiro tempo. Sai Camoranesi. A esta altura, os italianos parecem cansados. É um alívio quando o árbitro encerra a partida com mais 2 min de acréscimo.

Mas uma prorrogação no caminho das duas seleções.  Que saudades de Tostão, Pelé, Jairzinho, Rivelino. Fosse o Brasil de 70 agora estaria 4 a 1 para o Brasil. Sim, mas naquele tempo se jogava futebol, hoje é essa madorrice criada por italianos e Parreiras da vida.

A França volta atacando no primeira metade da prorrogação. Parece decidida a liquidar a fatura. e seu jogo também é mais vistoso e bonito de se ver, em que pese seu treinador também gostar de uma retranca.

Sai Ribery e finalmente entra o argentino-francês Trezeguet. Durante toda a copa ele não jogou mais que 90 min nos dois primeiros jogos. Os 3 mosqueteiros franceses estão reunidos em campo. A França quer ganhar. Será que Lippi também?

Boa triangulação e Zidane sozinho cabeceia de muito perto. A jogada lembra aquela de um dos gols de Zidane na final contra o Brasil em 98. Mas Buffon atento manda para escanteio, isto aos 14 min na primeira parte da prorrogação.

Começa o tempo final da prorrogação e Thierry cansado continua estendido no chão e logo é substituído por Wiltord.

Os telões do estádio informam que apenas Vavá, Pelé, Breitner e Zidane fizeram gols em duas finais de Copa do Mundo.

Depois de um ataque francês, Zidane que havia sido seguro por Materazzi dentro da área volta pro meio campo discutindo com o italiano. Em dado momento, Zidane com força da uma tremenda cabeçada n o grandalhão italiano que vai ao chão. O juiz não vê nada, mas Buffon sai da grande área correndo e vai até o bandeirinha. Está armada a confusão. O capitão e melhor francês em campo, a alguns minutos de ser aclamado o melhor jogador do mundial, em sua última apresentação como jogador de futebol, faz o pior uso de sua cabeça. Utiliza-a para agredir com um descontrolado provocador. Ele sai de campo e com ele as esperanças da França ser campeã. Pior que isso, como dar a ele o prêmio de melhor do mundial?

Se as duas equipes não apresentavam um futebol digno de uma final, agora é que virou pancadaria. E depois ainda falam mal de Felipão e seu estilo guerreiro, que não pode ser confundido com violento.

Acaba a prorrogação, mais uma vez uma copa do mundo vai para os pênaltis e pelo menos em duas vezes a Itália estava em campo, numa delas contra a retrancada seleção de Parreira, em 1994, no México.

Um jornalista ao lado passa um papel para que os companheiros anotem o resultado das penalidades. Cravo 5 a 4 para Itália. E começam as cobranças... Pirlo faz...na seqüência o argentino-francês Trezeguet chuta na trave. Itália em vantagem. E não erra mais, um a um os italianos vão convertendo. Quando Toni marca o quinto a Itália é campeã. Não consegui fazer os 5 X 4, porque não tem mais sentido a França cobrar.

A Itália é campeã do mundo mais uma vez. Depois do Brasil penta ela é a única tetracampeã... A Alemanha permanece tricampeã em sua casa com o terceiro lugar. E Portugal com Felipão, em três anos e meio, foi vice-campeão da Europa, passou pelas eliminatórias em primeiro e é a quarta melhor seleção do mundo. Para quem não tinha atacantes e o único camisa 9, Pauleta não conseguiu fazer nada...até que Luis Felipe Scolari foi longe demais.

O mundial da Alemanha acabou para mim...agora é voltar. Mas estes 30 dias em terras alemãs só permitiram ver que esta é uma terra rica, de gente trabalhadora e rica, que depois do tormento nazista conseguiu se recuperar é o motor da Europa unida e um país sim de primeiro mundo. Quanto ao futebol...a esse continua mal. Não apareceu por aqui. Considerar Podolski, Fabregas, Cristiano Ronaldo craques é ter que fazer muito esforço. Achar que Klissmann, Lippi, Domenech, Scolari, Parreira contribuíram para a melhoria do futebol é mentir. Eles todos são muito ruins. Que saudades de quando se podia cantar "todos juntos num só coração"...Hoje Tostão está aqui ao meu lado e não lá dentro das quatro linhas. A magia, o encanto, a beleza, a arte ficou no passado.

Pobres de espírito aqueles que consideram que era uma outra época, um outro futebol, que se jogassem hoje, aqueles Garrinchas, Puskas, Tim(s), Leônidas (s) Rivelinos e Tostão (s) não fariam nada.  O futebol acabou em 1982 com Falcão, Zico, Júnior e Valdir Peres (injustiçado por um gol).

África? Está muito distante no chão e no tempo...quem sabe? Assim como tive a felicidade de compartilhar a tribuna de imprensa com um dos gênios do futebol de todos os tempos...também a África do Sul pode estar no meu caminho....Com esta foram 4 copas do mundo...Itália 90, USA 94, França 98, Alemanha 2006.

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