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O "muro" australiano foi derrubado Agora sim, seria pra valer. O coração bateu mais forte ao entrar no estádio onde Hitler teve que se curvar ao poderio esportivo do negro Norte-americano Jesse Owens. Na verdade, a pista onde Owens destruiu o mito ariano fica do lado de fora do estádio. Mas não importa.... Um dia antes do jogo, tenho acesso ao treino de reconhecimento de campo da seleção brasileira. Em uma das metades do gramado, os 23 brasileiros trombam uns nos outros... É o famoso treinamento Zagalo... Aquele mesmo usado nas derrotas para a Holanda e Polônia em 1974 e para a França em 1998. Em cada gol, os goleiros reservas. Dida está jogando de atacante. Não havia uma hora mais adequada para essa brincadeira? Enfim é o Brasil de Zagalo e Parreira. Sem Alex, o coxa-branca do Fennerbach de Istambul e com o herdeiro de Zinho-enceradeira, Zé Roberto. Se não me engano quando jogava na Portuguesa de Desportos, ele era lateral. Depois de freqüentar a ponta-esquerda do Bayer de Munique, Parreira o colocou no lugar do grande herói da última Copa América. Dia seguinte a expectativa para assistir o jogo era enorme. Estava na lista de espera dos ingressos. Justo no jogo do Brasil! Vai se entender os critérios da FIFA... 14 jornalistas do jornal " O Estado de São Paulo" já tem ingressos! E eu na mão. O que 14 vão escrever sobre um mesmo jogo? Mas finalmente, sou o terceiro da lista a ser chamado. Entro uma hora antes do jogo começar. A emoção aumenta. Agora é pra valer. As seleções entram em campo. Toca o hino nacional. Todos de pé. O estádio, ao contrário da minha expectativa, está colorido de Branco e Vermelho, as cores quadriculadas da Croácia. E que torcida mais barulhenta! Ela tem até batuque. O amarelo se perde no meio de tanto vermelho. A torcida canarinho além de menor é calada. Começa o jogo. A ansiedade não permite ver nos primeiros minutos que a seleção pentacampeão do mundo recheada de atacantes galáticos é uma miragem. O quarteto com os dois pesadões isolados lá na frente não anda. O melhor jogador do mundo, Ronaldinho Gaúcho, não acerta nem suas enfeitadas. Zé Roberto não existe. Kaká é um ponta direita fominha. Epa! Mas ele não foi escalado no meio campo junto com Zé Roberto, Ronaldinho Gaúcho e Emerson? Se é meio campista, porque não distribui o jogo? Por que não procura lançar Ronaldo e Adriano, os encarregados de fazer gol? O jogo é horrível. Os croatas piores ainda! O Brasil? Bom a seleção canarinho parece um arremedo de time. 4 atacantes e 6 defensores....É o famoso 1- (goleiro) 6-4. Cadê o meio campo? O ponta Kaká faz o gol tão esperado... Os brasileiros suspiram aliviados, mas nada de comemoração... A torcida parece adormecida. Quem incomoda com seus gritos ensurdecedores e seu bater de bumbo descompassado é a torcida croata. Essa sim se pode chamar de torcida! Os verde-amarelos nem de longe lembram coxas, fanáticos, fiéis.... Cadê o meio campo? Cadê o melhor jogador do mundo nos últimos dois anos? Realmente, a apresentação é bisonha! Não dá nem para responder aos jornalistas estrangeiros o que aconteceu neste primeiro jogo. Não há explicação. Curto e grosso:Não temos time! |
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