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REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

ALEMANHA 2006

Viagem aos campos de futebol alemães

A crônica Fotos

 

A torcida brasileira na Alemanha

 

Ulisses Iarochinski

18 de junho de 2006

Os companheiros de jornalismo que estão acompanhando os jogos da seleção brasileira estão vendo outra coisa, ou então estão assistindo só pela televisão.

Verde amarelo australiano em Munique

 Aonde o Brasil estiver?

Na primeira partida, em Berlim, o estádio estava vestido de vermelho e branco e não de verde amarelo. O famoso batuque da galera devia estar sendo executado apenas nos telões espalhados pelo Brasil, porque no Olímpico de Berlim o que se ouvia era o ensurdecedor grito de guerra dos croatas. Claro, o time do Parreira não foi nenhuma maravilha....mas incentivo é o que mais se espera do camisa 12 da arquibancada.

A coisa se repetiu em Munique. No estádio Bávaro finalmente se pode ver as arquibancadas vestidas de verde e amarelo. Mas... Mais uma vez, não eram as cores brasileiras. Sabe se lá porque os súditos da Rainha Elizabeth II que têm a bandeira nas cores azul, vermelha e branca adotaram para a sua seleção, a cor canarinha do Brasil. A torcida em Munique era toda australiana. Os gritos eram todos em inglês. A torcida brasileira ficou praticamente muda, mesmo ganhando de dois a zero.

Enfim...será que só eu vi e ouvi isso? Não é possível!

Procuro entender o que está se passando com os brasileiros nos estádios alemães. Procurei nas ruas conversar e observar o comportamento destes verde-amarelos. A conclusão a que estou chegando é que os verdadeiros torcedores brasileiros não vieram para a Copa. Não veio as Torcida Jovem do Coritiba e do Palmeiras, não vieram os Fanáticos do Atlético Paranaense, nem os gaviões da Fiel, muito menos os cariocas do Mengão, da Estrela Solitária, ou aqueles que "vão aonde o Grêmio estiver". Não, decididamente estes que estão aqui não são torcedores...podem até ter passaporte brasileiro, mas não podem ser chamados de torcedores de futebol.

Estes que vieram para a Alemanha são pessoas como o rapaz que encontrei na frente do Estádio Olímpico de Berlim, que ao ser saudado com um Boa Tarde em português, olhou-me com desprezo. Quando lhe perguntei se era brasileiro....o paulistano (pelo forte sotaque da Mooca) respondeu: "Estar aqui não é pra qualquer neguinho não! É pra quem pode. Sai dessa, ô meu!"

Realmente, com raríssimas exceções, este é o perfil do Brasileiro que veio torcer pela seleção do Parreira. Desanimado, ruim de samba no pé, racista e muito pior que isso: arrogante! Um torcedor amorfo, que parece pertencer a uma classe média que nunca passou pelos portões de um estádio de futebol e nem sabe o que é 3-5-2, 4-3-4... Que não sabe nem encher os pulmões e gritar Brasilllllllllllllllll....com L no final... Como fazia o saudoso narrador esportivo Jorge Curi.

Se a seleção não encanta; se Ronaldinho Gaúcho, incensado como melhor do mundo, não consegue assumir a condição de maestro e principal jogador do Brasil; se Kaká não sabe que a função de um meio campista é distribuir a bola e não... Carregá-la debaixo do braço até a área adversária para entregar para os inimigos; se Zé Roberto só consegue cercar e não entende que a função de meia é construir jogadas; se Adriano tão gordo quanto Ronaldo cai pelas tabelas... Como é que se vai exigir de quem só tem dinheiro para comprar o bilhete de avião e diárias de hotel que manifeste seu contentamento, ou sua frustração num campo de futebol?

Para encerrar a triste imagem da torcida brasileira em terras alemãs, nada mais patética do que a cena do Velho Lobo Zagalo entrar no campo, ao final do jogo com a Austrália, carregando uma camisa da seleção e ser menosprezado por um João ninguém australiano, que se recusou a trocar de camisa. Zagalo, curvado pelo peso da idade e seus cabelos brancos, depois da segunda tentativa encontrou um jogador australiano que tirou sua camisa, entregou ao ponta esquerda recuado bicampeão e recebeu em troca, a lendária camisa 13.

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