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ALEMANHA 2006

REPÓRTER PARA SEMPRE

Aqui, textos de matérias publicadas em revistas e jornais de circulação nacional e internacional  assinadas pelo jornalista Ulisses Iarochinski. Jornal FOLHA DE LONDRINA  Revista CARGA PESADA  Revista JORNAUTO  Revista ESTRADAFORA  Revista TRÂNSITO  Revista CARRETEIRO Rádio NEDERLAND  Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO  TV Bandeirantes Tv Record e ......

 

Viagem aos campos alemães de futebol

A matéria Fotos

O futebol moleque se apresentou

Ulisses Iarochinski

22 de junho de 2006

Vai começar mais um jogo em Dortmund. Enquanto Pelé e Beckembauer estão na tribuna de honra, na tribuna de imprensa, lado a lado, os repórteres da Globo: Marcos Uchoa, Gleide Koslowski e Pedro Bial. Todos atentos para assistir o Brasil contra o Japão de Zico.

O Brasil vem modificado. São cinco substituições. Finalmente parece que vai ter meio de campo de verdade, Juninho Pernambucano é a garantia disto. Além disso, do Real Madrid estarão três galácticos, Ronaldo, Robinho e Cicinho. O velho lateral esquerdo, mas bem mais jovem que Nilton Santos, fica de fora. Quando o Japão pega na bola o estádio delira. Ronaldo tenta de cabeça aos 3 min.

 

 

Brasil entra em campo para sua melhor apresentação.

 

 

Pedro Bial, da Globo, assiste o jogo ao meu lado.

Finalmente um time

O Brasil está melhor que nos jogos anteriores. Pela segunda vez Ronaldo é acionado e aos 6 min quase faz gol. Foi passe de Ronaldinho Gaúcho. Percebe-se que finalmente a seleção tem um maestro, um organizador de time. E  este é Juninho Pernambucano que comanda literalmente as ações do time. Mais 3 minutos e é a vez de Kaká, que tenta de longe. Em seguida aparece a estrela de Robinho, que numa linda limpada de bola, chuta forte para o gol aos 10 min. A bola vai para escanteio. O time de Zico é fraco. O jogo da seleção brasileira é outro. Se já não tinha encontrado espaço, agora é que Gaúcho não tem mais vez na função que Parreira lhe deu. Juninho tomou conta do time. Kaká faz bonita tabela com Ronaldo aos 11 min. O jogo transcorre num ritmo bem diferente dos dois primeiros jogos. Juninho bate falta aos 13 min, mas muito acima da trave japonesa.

Pela primeira vez no jogo, aos 14 min, o Japão dá seu chute a gol, mas sem perigo. Mais uma vez Robinho encanta aos 15 min. Ele tem energia e aquela fantástica qualidade do verdadeiro futebol brasileiro. De maduro, o gol teima em não sair.

Aos 17 min, o Japão começa a se atrever. Perigo na área brasileira, o responsável é o lateral brasileiro Alex, nacionalizado japonês. Zico manda seu time para o ataque. Aos 19 min, Dida é obrigado a fazer sua primeira defesa, mas com tranqüilidade. A resposta vem rápida, antes de completar 20 min, quase que Ronaldo marca. Mas o goleiro defende mandando para escanteio. O Brasil pressiona. É a vez de Juninho mandar um tirambaço forte para o gol aos 21 min. Este é o  Brasil que todos estavam esperando. Finalmente o futebol brasileiro aparece na Copa da Alemanha. Na mesma Dortmund, que viu o fracasso de Zagalo de 1974.

Com o Brasil dando espetáculo, o Japão se assanha aos 25 min. Logo em seguida, outra vez os japoneses tentam aos 26 min, mas o chute do camisa 11 japonês vai muito para o alto.

Aos 28 min, Gaúcho da um chapeuzinho no japonesinho, na entrada da grande área. O melhor do mundo, livre da obrigação de ser líder começa a desfilar seu malabarismo. Aos 32 min, Ronaldo gira, mas a jogada não oferece maior perigo. Não há mais dúvida, com meia hora de jogo, que Juninho Pernambucano arrumou o time.

infelizmente aos 34 min, o Japão quebra a invencibilidade de Dida e o nr. 20, Tamada faz o gol de seu país. Zico comemora.

Mas o Brasil não sente o baque. Aos 35 min, os três Rs quase fazem o gol, após maravilhosa triangulação, com uma bela escapada de Ronaldo. O jogo ganha ritmo de festa, de empolgação, rápido... Brilhante!

O Brasil está perdendo, a placa já sinalizou os acréscimos. Mas antes da retirada para o intervalo, Ronaldo desencanta na Copa, calando críticos e empatando aos 46 min. Agora, ele se iguala a Just Fontaine, ambos com 13 gols na história das copas e supera Pelé, que fez 12.

Apesar do encanto que ressurgiu, a torcida brasileira continua no mesmo ritmo dos dois jogos anteriores: muda e calada. No intervalo, ouvem se apenas os gritos dos japoneses.

Recomeça o jogo. A seleção com o empate fica mais elétrica. Robinho dá show, Juninho comanda. Cicinho com suas disparadas leva sempre perigo. Gilberto Silva faz esquecer o brutamontes Emerson. Nem saudades de Adriano, que andou falando durante a semana que preferia jogar com Robinho, do que com Ronaldo.

Aos 9 minutos depois de uma tabela dos Ronaldos, o de número 9 manda uma bomba rente ao poste direito do goleiro japonês.

Pela primeira vez na Copa da Alemanha, a torcida canarinho acorda e começa a gritar o nome de Ronaldo. A seleção está mais participativa.

Logo em seguida, Juninho Pernambucano de fora da área faz um golaço. O Brasil vira o marcador. Deste  minuto em diante, o Brasil vai perder muitos gols até o apito final. Não demora muito e Ronaldo tenta de cabeça, mas o goleiro japonês segura. Zico vendo a vaca ir pro brejo faz substituição em seu time.

o moderno estádio de Dortmund não é coberto e quando a chuva começa aos 12 min do segundo tempo, começam a ser distribuídas capas de chuva de plástico vermelho. Mas é claro que só para alguns, pois a cobertura das arquibancadas, resguarda o público. Apenas aquelas fileiras a beira do gramado é que se molham, como os paraplégicos em suas cadeiras de rodas.

A torcida brasileira se faz presente cantando:  "Sou brasileiro... Com muito orgulho",  ou então com rimas como "ele se fudeu... O Ronaldo emagreceu".

O time continua jogando bem. O lateral Gilberto, do Herta Berlin, que substituiu Roberto Carlos, dá o ar da graça e entra para a história dos goleadores brasileiros em copas do mundo, marcando um belo gol aos 14 minutos do segundo tempo.

Robinho tenta aos 18 min, mas o goleiro japonês manda pra escanteio. O Brasil continua jogando solto e bonito. O Japão acabou. Em seguida, Robinho invade a área, cruza, a bola passa por toda a extensão da pequena área, mas Ronaldo não chega a tempo.

Parreira começa a substituir, entra Ricardinho (aquele que tomou o lugar de Alex no grito) no posto de Ronaldinho Gaúcho. (ah! então, o homem não é intocável!). Entra também Zé Roberto, no lugar de Kaká. Logo em seguida é a vez do melhor goleiro do mundo entrar em campo, o paranaense de Pato Branco, Rogério Ceni.

A torcida brasileira canta: "Na maior felicidade....é lindo meu.." O jogo não terminou e ainda é tempo para Ronaldo fechar a goleada de 4 a 1 e alcançar um recorde de 32 anos...ele agora também tem 14 gols como o alemão Gerd Muller. A vitória é brasileira, mas Ronaldo mais uma vez da a volta por cima, gordo, ou não, na hora do vamos ver é ele quem garante. Palmas para o verdadeiro futebol brasileiro, apesar da ruindade do Japão e do árbitro da partida. Com esse time dá pra sonhar e ter esperanças do hexa. Mas sabe como é....Parreira é meio surdo e teimoso, além de retranqueiro.

Para aqueles que acham que o Brasil deu goleada porque o Japão é muito fraco, nas duas partidas anteriores, a Croácia e a Austrália também eram muito ruins e nós brasileiros sofremos muito. Sim, o Brasil jogou bem com os reservas.

DE SUA OPINIÃO, POR FAVOR

 
 
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