|
|
|
|
Profissão Jornalista
Política A macha de Fidel Radio Nederland Wereldomroep, 13 de junho de 2003 Ulisses Iarochinski Ninguém mobiliza tão rapidamente multidões, como as que se viram ontem em Havana, se não tiver pelo menos um estigma, um carisma. Muito além das qualificações de tirano, ditador, decrépito, patético que estão lhe impingindo os lideres da direita mundial e alguns ex-socialistas convertidos às máximas do fascismo, Fidel Castro demonstra que sua revolução de quase meio século é mais pungente que as ditaduras de Franco na Espanha, Salazar em Portugal, Mussolini na Itália, Hitler na Alemanha, Stalin na Rússia, Pinochet no Chile e Mao Tse Tung na China. Acossado pela política beligerante da Casa Branca, pelas escaramuças dos primeiros ministros Aznar da Espanha e Berlusconi da Itália na União Européia, e criticado por ex-aliados como Filipe Gonzáles, Fidel Castro juntamente com seu irmão Raul, levou para frente das embaixadas da Espanha e da Itália, mais de um milhão de cubanos, quase um quarto da população do país, para protestar contra o que denominou de “campanha contra a nação cubana”. Na TV Não bastasse a manifestação da manhã, Fidel voltou à televisão durante a noite, onde cerca de três horas falou sobre os dois dirigentes europeus e o secretário de estado Norte-americano Colin Powell. Fidel respondeu ao relatório divulgado ontem nos Estados Unidos que incrimina o regime cubano de estar facilitando e estimulando a exploração sexual de menores. Para o líder da revolução cubana o Norte-americano é verdadeiramente infame, grosseiro, cínico e repugnante. E tudo isso ofende e insulta a família cubana, as crianças e a ele mesmo. Fidel acusou Aznar e Berlusconi de serem os autores intelectuais da resolução aprovada na quinta-feira passada pela União Européia e dos protestos pelos julgamentos sumários a dissidentes do regime. Fidel foi enfático em suas respostas no programa da televisão, dizendo que " Cuba nãodeve ser ameaçada e quando a provocam devem ter em conta o custo político desta ameaça.” Em relação ao primeiro ministro espanhol foi irônico:"Aznar é covarde". Qualificou os dois dirigentes europeus com as seguintes expressões: "Aznar es un führercito con bigoticos", e Berlusconi "um palhaço fascista". UE O bloco comunitário europeu limitará visitas governamentais, reduzirá sua participação em atos culturais bilaterais, convidará os dissidentes para as recepções diplomáticas em suas embaixadas em Havana e em julho próximo revisará a posição comum que sustenta contra Cuba, pedindo democracia na Ilha caribenha. A União Européia é o maior sócio comercial de Cuba e o maior investidor estrangeiro com aportes de mais de 2.100 milhões de dólares no período entre 1993-2002. Até quando? As manifestações em frente às embaixadas da Itália e da Espanha já causaram asprimeiras repercussões na Europa. O vice-presidente da Comissão deRelações Exteriores da Câmara de deputados da Itália, Darío Rivolta,do PartidoForza Itália, declarou que "Cuba é um país que tem todos os atributos para formar parte do mundo civilizado, porém Fidel Castro, assassino reincidente que utiliza o terror como arma política, o impede". Já o ex-primeiro ministro socialista da Espanha, Felipe González, foi mais duro em suas declarações e qualificou de patético o dirigente cubano Fidel Castro, numa entrevista publicada pelo jornal El Nuevo Herald de Miami. "Fidel está patético. Já está como Franco quando estava morrendo", disse González, ao comentar os últimos acontecimentos em Cuba. O esquerdista disse acreditar que Fidel "morrerá na cama e a posterior transição em Cuba não será dramática,porque a geração dos duros, pró e anti-Castro, já estão fora da Ilha". Até onde Fidel vai suportar a pressão da direita internacional é o que se pergunta. Terá o mesmo destino de Saddam? E porque será que as baterias não se voltam contra a ditadura chinesa que também é comunista, e também executa no paredão, do mesmo modo que os Estados Unidos com sua pena de morte? |
|