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PROFISSÃO JORNALISTA

Política

O Papa em Banja Luka

Ulisses Iarochinski, 20 de junho de 2003

A visita do Papa João Paulo II a Banja Luka, na República Srpska, onde ainda há grande tensão religiosa entre os servos ortodoxos e a pequena minoria católica croata, é uma visita de alto risco que põe a prova os serviços de segurança dessa república, encravada em pleno coração da parte serva da Bósnia-Herzegovina.

História recente

banjalukaPA cidade de Banja Luka, na região Norte da Bósnia, que o papa visitará domingo pela primeira vez, é a sede das instituições da República Srpska, a entidade serva da Bósnia. A velha cidade fortificada é considerada pela maioria da população serva da Bósnia como a capital de seu mini-Estado. Vivem nela cerca de 300.000 habitantes. Depois do fim da guerra, a Bósnia-Herzegovina foi constituída de duas entidades estados, a República Srpska e a Federação croata-muçulmana, tendo Sarajevo como a capital comum e única. Os servos da Bósnia são majoritários na República e a consideram como sua verdadeira pátria e por isso não dão tanta importância a cidade de Sarajevo.

Multi-étnica
Durante o conflito de 1992-95, Banja Luka, era a cidade mais multi-étnica, da região, conviviam ali os muçulmanos e os croatas.
Antes da guerra, Banja Luka contava com mais de 195.000 habitantes, onde 107.000 eram servos, 30.000 eram croatas e 28.500 eram muçulmanos. Logo ao fim dos conflitos a população muçulmana havia diminuído para 6000 pessoas e os croatas a apenas 2.000 habitantes. Quando o papa visitou o país pela primeira vez em 1997 e esteve em Sarajevo a população desta cidade era majoritariamente muçulmana.

Perdão
Nesta sua segunda visita, o fato da escolha da cidade recair sobre Banja Luka está na população católica do lugar (Apostólicos Romanos e Ortodoxos), embora a pequena comunidade muçulmana também espera que o Papa possa favorecer e incentivar a tolerância comunitária entre as religiões. Os muçulmanos de Banja Luka acreditam que o Papa possa ajudá-los a sair da miséria e da marginalidade em que se encontram, oprimidos que estão pela maioria católica da cidade.
Espera-se até que João Paulo II vá apelar para que as pessoas do lugar peçam perdão uns aos outros pelo que se passou de ruim durante a guerra dos anos 90. Pois mesmo passados sete anos do fim da guerra, a situação continua crítica na região com as distinções populacionais nas duas principais cidades do país.

Intransigência
Os católicos reclamam que Sarajevo está tomada pelos muçulmanos e estes por sua vez dizem que Banja Luka é o símbolo da intransigência católica e que dificilmente eles encontram trabalho, sendo vítimas de agressões e outros atos de discriminações por parte de seus vizinhos servos. Para Dragan Cavic, presidente da Republica Srpska, a visita do Papa é uma ocasião para os cidadãos e as instituições mostrarem ao mundo que as frustrações da guerra desapareceram para sempre.


Segurança
Mas não é o que pensam os serviços de segurança, pois para a proteção do Papa foram designados mais de 4000 policiais, que serão supervisionados pela missão da Polícia da União Européia – EUPM e terão o apoio também das tropas da Força de estabilização da OTAN.
Unidades antiterroristas estarão a postos nos telhados dos edifícios e os bósnios com registros criminais passaram alguns dias detidos.

 

 
 
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