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ESPÍRITO SANTO Em 1870, houve uma pouco conhecida e desastrosa experiência com poloneses na Colônia Santa Leopoldina, núcleo Timbui. Depois eles foram para o Patrimônio de Santo Antônio(Patrimônio dos Polacos). Vieram umas 500 famílias. Mas, poucos ficaram. Em 1873 eles se revoltaram e muitos foram embora. No século XX, o Norte de Colatina foi divulgado na Polônia como de terras virgens, por baixo preço(na Itália não tinha sido diferente). Havia entre os lavradores poloneses a certeza de uma paz instável. Em 1922 o País tinha saído de uma guerra com a Rússia. A ponte de Colatina tinha ficado pronta. E havia o Alto São José por colonizar. Assim, “Através de contrato datado de 6 de outubro de 1928(já no governo de Aristeu Borges de Aguiar), lavrado no livro 25, fls. 30 a 35v,do Cartório dos Feitos da Fazenda de Vitória, Espírito Santo, a Sociedade de Colonização em Varsóvia (Towarzystwo Kolonizacyjne através de seu diretor Boleslau Ziliczinski (Rua Sienna, 22, Varsóvia) recebeu a concessão gratuita do 50.000 hectares ao norte do Rio Doce, município de Colatina ou São Mateus (a zona era, então inexplorada, para dividi-la em 2.000 lotes de 20 a 30 hectares, com introdução de 1.800 famílias por ano, composta de marido e mulher, menores de 50 anos e filho(a) maior de 13 anos.”(POLONESES NO ESPÍRITO SANTO, pág. 2 ) Em 1936 este contrato foi alterado (Governo de João Punaro Bley) porque, no Alto São José, havia 5000 hectares invadidos por posseiros e, no médio São José, 10.000 hectares haviam sido colonizados por Bertolo Malacarne, autorizado primeiro verbalmente (pelo Dr. Bem-vindo de Novaes no Governo Florentino Avidos) e depois por contrato de 12.03.1929(no Governo Aristeu Aguiar). Não havia mais 50.000 hectares disponíveis. Isto corresponderia a mais que todo o atual Município de Águia Branca. Em 1925 Bertolo já havia fundado um núcleo na Cachoeira da Onça e São Domingos(do Norte) (1926) na bacia do médio rio São José. Ele logo trouxe colonos do Sul do Estado, antes mesmo de a ponte de Colatina ser construída. Para os poloneses, a revolução de .30 viria mudar muita coisa. E logo depois viria a guerra mundial de 39. Não chegaram a entrar mais que 1.000 famílias polonesas (ou pessoas), segundo Fausto Teixeira. Mas, quem veio, sofreu. “Eduardo Glazar, primeiro prefeito(eleito) de São Gabriel da Palha, de origem polonesa, recorda a chegada em Colatina, quando tinha dez anos. Veio de Vitória, de “maria fumaça” e desembarcou na estação, à época na praça municipal. Daqui atravessaram a ponte de madeira sobre o rio Doce, em direção ao aldeamento(dos índios), nas proximidades de Pancas. A ponte de madeira, não tinha lastro, apenas as pranchas, onde passavam os pneus dos caminhões.”A ponte estava em construção. A mudança vinha sobre os Ford 29(Eduardo veio em 1931) e nós íamos sobre a mudança. Para atravessar, às vezes alguém precisava ir adiante, para orientar o motorista. A gente atravessava com um certo medo por causa da altura e do rio caudaloso(muitos caíram na água). As mulheres choravam, rezavam o terço, pois era quase um quilômetro de ponte, só com as vigas dos lados”, lembra Eduardo Glazar” (FOLHA DO NORTE, 17 de agosto de 1996). As primeiras famílias polonesas vieram ainda em 1929. Iam até o Aldeamento do Pancas(onde dormiam) de caminhão e dali até Águia Branca(passando por Montes Claros, uma referência a Nossa Senhora de Montes Claros, padroeira dos poloneses), a pé, com as crianças dentro de caixotes no lombo de animais. Os primeiros nacionais haviam aberto o núcleo de Águia Branca em 1926. Eram “os Rodrigues’(duas famílias), segundo me disse Luiz Carlos Fedeszem. O advogado Dr. Walery Koszarowski (Dr. Valério) iria ter uma função importantíssima na condução da colônia polonesa. Era polonês de nascimento e, pelo que li em Fausto Teixeira já em 1929 estava em Águia Branca. Ele certamente veio antes dos outros imigrantes poloneses pois em 1915 nasceu um filho seu em Bicas(MG). Antes, em 1912, tinha nascido outro filho dele na Polônia. A denominação ÁGUIA BRANCA foi perpetuada por Ceny Achiamè. Ele criou uma linha de ônibus entre o povoado e Colatina, em 1949. Ele era comerciante em Águia Branca. Vendia muito aos poloneses, comunicando-se com eles por gestos. Mais tarde o nome Águia Branca se espalhou por boa parte do País como marca de uma empresa de transporte coletivo. A vida, em Águia Branca, era dura para eles. “Desde o início da colonização, o calor, as doenças como a malária e o total desconhecimento da região e do idioma levaram os imigrantes a passar por privações agudas. Acostumados a uma dieta em que a batata era um dos principais ingredientes, os poloneses tiveram que aprender a plantar milho, mandioca e banana, até então desconhecidos por eles. Os nativos da região é que se encarregaram de orientá-los sobre as novas culturas agrícolas, porque não havia qualquer assistência do governo.” (ES, ENCONTRO DE RAÇAS, pág. 31) “Entre 1931 e 1936, muitos colonos iam pé de Águia Branca a Colatina, passando pelo Aldeamento do Pancas, levando, para comerciar peles de animais (onças, cobras, queixadas) e fibras de poaia (uma raiz) e guaxima(planta invasora). Na cidade, dormiam em baixo da ponte, por não terem dinheiro para o hotel, e compravam sal, querosene, panos, algum remédio, voltando, também a pé, com a carga nas costas.” (POLONESES NO ES, pág. 5) Com fome e doentes não tinham outra saída. O polonês é sabidamente um bom caçador. A caça e a coleta são um dos meios mais primitivos e desesperados de sobrevivência. Os outros colonos vizinhos chegaram a pensar que os poloneses eram posseiros, quando, na realidade, haviam comprado(a prestação) as suas terras. No meio da mata, entraram em pânico. “Entre dez famílias, ficavam em média umas três ou quatro, conta Eduardo Glazar, que chegou em 1931 com os pais e três irmãos.” (ESPÍRITO SANTO AGORA, pág. 28) Muita gente desistiu da colônia. Foram para outros países ou para o Sul do Brasil. As coisas não iam bem em Águia Branca. Os poloneses nem se interessavam em tirar escritura das terras. Em 1936, vencido o contrato de 1928, foi feito novo acordo, pelo governo de João Punaro Bley, permitindo a ocupação de terras no médio e baixo rio São José. Os mais corajosos desceram o rio São José em busca de terras ainda devolutas e mais vantajosas. Em 1937 alguns poloneses vieram para São Gabriel da Palha, onde a Companhia Polonesa de Colonização colocou um escritório. Eduardo Glazar trabalhou neste escritório. “Frente às dificuldades iniciais enfrentadas pelos colonos, celebrou-se, em 21.02.1933, um “modus vivendi” (acordo pelo qual duas partes em briga se podem tolerar um ao outro) provisório entre o Interventor João Punaro Bley e o Secretário Dr. Augusto Seabra Muniz e o Ministro Plenipotenciário da Polônia Dr. Thadeu Grabowski(ele veio a Águia Branca em 1930) confirmado, posteriormente pela Ata protocolar da Conferência havida na Legação da Polônia, no Rio de Janeiro, aos 19.05.1936, entre o Governador do E. Santo, Capitão João Punaro Bley e o Sr. Walery Koszarowski, representante no Brasil da Sociedade de Colonização em Varsóvia Ltda., na presença do Dr. Thadeu Grabowski, Ministro Plenipotenciário da Polônia (Cartório referido, livro 5, fls. 89 a 91,v) através do qual o contrato primitivo foi prorrogado por 10 anos, se a Assembléia Legislativa do Estado ratificasse a Ata, tendo em vista as dificuldades de cumprir o contrato anterior, face às transformações políticas e econômicas decorrentes da revolução de 1930(o Governador Aristeu Aguiar tinha fugido) assim como pelo fato de na área anteriormente contratada já existirem 5.000 hectares invadidos(na década de –40, em São Domingos, vi muita gente “baleada” passar em cima de carroceria de caminhão para Colatina) (POLONESES NO ESPÍRITO SANTO, FAFIC, Colatina, Departamento de Imprensa Oficial, 1972) Outro texto esclarece melhor o que houve. "A imigração polonesa, que de 1929 a 1935 se concentrou mais em Águia Branca, passou a partir deste ano, a se dirigir ais para São Gabriel da Palha, onde na ocasião havia apenas as casas dos colonos reunidos por Bertollo, e que deram nome ao município por serem todas cobertas de palhas. Com a entrada de brasileiros nas terras destinadas anteriormente aos imigrantes poloneses em Águia Branca, estes por intermédio do então administrador Valério Koszaroviski, pediram ao Governo Estadual que tomasse alguma providência que remediasse a situação. Não podendo retirar os novos colonos por já terem beneficiado as terras com plantações, o Governo Estadual cedeu então terras em São Gabriel da Palha, continuando os imigrantes o trabalho iniciado por Bertolo. " (Revista AGORA, nº 39, Vitória, novembro de 1979, pág. 32). Dr. Walery deve ter ficado satisfeito. O nome do córrego Bley(ele passou pelas matas do rio Pancas e do rio São José indo de Colatina a Nova Venécia, com o Secretário da Agricultura, entre 1939/1931) deve ser uma justa homenagem ao Interventor. Os poloneses agora podiam ocupar terras sem “ as freqüentes aflorações de pontões de gnais” de que fala o contrato de 1928( as belas pedras que são vistas em Águia Branca) e sem posseiros. O povoado "da Palha" foi iniciado em 193/5 Bertolo já havia trazido muitos colonos para cá. A partir de 1937, quando só havia aqui barracas, os poloneses tomaram o rumo do "POVOADO DA PALHA'. Para cá vieram o veterinário Boleslaw Ruszczyeki(me interrogou em grego quando eu era seminarista) e o médico recém-casado Dr. Janos Zak(foi embora em 1939), que, fugindo da febre da Cachoeira da Onça, moravam no córrego Cedro, afluente do córrego São Gabriel, junto ao escritório da Companhia Polonesa, numa terra que depois foi comprada por Egisto Pietro Da Rós(meu sogro), em 1939, que tirou escritura definitiva diretamente do Estado em 1949/50, com “Titulos Expedidos pela Sociedade de Colonização em Varsóvia Ltda. sob nº 7, 6 e 16/I expedidos em 29 de XII de 1939 os dois primeiros e 11 de IX de 1940, o último. (Altair Malacarne) |
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