Além de participar da criação do Sindicato dos Artistas do Paraná, Zé Maria fundou
a Associação dos Produtores em Espetáculos Teatrais do Paraná e juntamente com a
primeira diretoria, da qual foi o presidente, alugou as instalações de uma antiga
fábrica na rua 13 de maio, 655. Junto com o ator Irineu Adami pegou na pá de pedreiro,
no serrote e no martelo de carpinteiro e mais o arquiteto José Lapastina levantou um
teatro no centro histórico de Curitiba.
Abolição
O Teatro ganhou o nome de Abolição, mas
discussões intermináveis terminariam em Teatro da Classe. Junto ao auditório, ao
redor da chaminé nos fundos da edificação, Zé Maria instalou um bar-restaurante.
Ali, entre outros petiscos servia mandioca frita com queijo ralado e "Tepan
Yaki" na
chapa.
Durante sua gestão seria montado o espetáculo
"Reputação do Quatro Bicos" de autoria do curitibano Luiz Groff, direção de
Oracy Gemba e um grande elenco onde se destacaria a atriz Olinda Wischeral (também
falecida) e uma série de 7 leituras dramáticas e um espetáculo infantil.
Democrático Zé Maria cedeu o posto de presidente,
na terceira eleição da associação. Ele precisava defender o "leitinho" das
crianças e foi fazer mais uma temporada do "Lá".
Treze de Maio
O teatro ficou sob responsabilidade da nova
diretoria. Mas as coisas não andaram bem e o teatro passou para as mãos de um grupo de
atores que trocou seu nome para Teatro Treze de Maio.
O primeiro espaço teatral
independente da cidade acabaria fechando. O poder público acabaria por
desapropriar o imóvel, acertando na justiça os débitos de aluguéis. Um
projeto de revitalização seria feito para uma nova inauguração. Falta de
verbas e questões políticas deixariam as portas do teatro fechadas por anos.
Em 1990, com a morte do ator, o ex-aluno, ator e
agora jornalista Ulisses Iarochinski, com uma artigo de página inteira lançaria a
campanha pela denominação do teatro com o nome do ator falecido.
Campanha
A campanha com mais 17 páginas inteiras e notas e
artigos em outras sessões seria encampada pelo Jornal do Estado e seu diretor Ruy Barrozo
e sensibilizaria outros jornalistas, artistas, amigos e alunos.
Projeto do deputado Algacy Tulio seria aprovado na
Assembléia Legislativa e sancionado pelo governador Roberto Requião. O espaço teatral
ainda restrito as antigas paredes receberia por sanção de lei estadual, o nome de
"Teatro José Maria Santos", em setembro de 1991.
Novo projeto de restauração seria contratado e a
execução da obra passaria do município para a responsabilidade do
Banestado. Finalmente
sua inauguração aconteceu em junho de 1998.
Burlando
Apesar de respaldado em Lei aprovada pela
Assembléia Legislativa e sancionada pelo Governador do Estado, o nome do Teatro
José Maria Santos rivalizou-se com a antiga denominação até fevereiro de
2002. Tanto a Secretária de Estado da Cultura, como Centro Cultural Teatro
Guaíra, através de seus secretários, diretores e funcionários insistiam em
burlar a lei utilizando a expressão da Classe.
Finalmente
Em outubro de 2001, atendendo a
um abaixo assinado organizado pelo Ator-Jornalista Ulisses Iarochinski,
finalmente foi retirada a inscrição da Classe, dos painéis, da revista de programação
do Teatro Guaíra e do portal do Governo do Estado. Resta agora as produções
teatrais independentes em seus cartazes e material de divulgação também
respeitar a Lei estadual quando de suas apresentações no auditório do Teatro
José Maria Santos.