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Perfeitamente integrada nas tendências e intenções
inauguradas no Brasil pelo Teatro de Arena (peças de conteúdo social e dialético)
“Chapetuba Futebol Clube”, de Oduvaldo Viana Filho, foi maltratada pelo crítico
René Dotti, em LADP, domingo passado. René Dotti não se capacitou, como de resto o diretor
Glauco Sá Brito e os atores, dos fundamentos e implicações necessários à natureza e
fins de CFC que 1) procura a naturalidade didática para expor o problema de
classes; 2) critica a sociedade capitalista com os seus meios de dominação
classista; e 3) valoriza ação prática como definição do homem. René achou
que a peça é sobre futebol, quando o esporte é apenas o fundo em que se
colocam os problemas. Poderia ser a sapataria Clark, por exemplo. O objeto é a
sociedade capitalista. A
Superestrutura se automatiza e pressiona a infraestrutura, de que é originária
(poder econômico pressionando o proletariado): a Federação possui
regulamentos (leis da sociedade capitalista) para o acesso à divisão principal
e Chapetuba (proletário) tem todas as chances de vencer. Todavia, o Saboeiro é
de uma região mais rica e, como tal, pode oferecer rendas mais elevadas
(vantagem e poderia econômico, expressado pelo personagem Benigo). Por isso, a
Federação quer Saboeiro e não Chapetuba. Saboeiro
(poder econômico) precisa ganhar de qualquer maneira; tenta quebrar a unidade
de Chapetuba (proletário) subornando um dos jogadores (trabalhador); precisa
garantir-se da vitória e compra o juiz (Justiça); e ganha. Tinha que ganhar,
devido ao enfraquecimento dos jogadores (classe operária). Paralelamente,
a política local serve aos interesses do poder econômico (Saboeiro e Federação)
com seus pequenos interesses (inclusão de Paulinho no jogo, para que o pai
pagasse a irradiação que diria o “lazeira” era o melhor homem em campo)
revelando a interdependência dos grupos econômicos. Não
há dúvida que o sentido socialista da peça claudica na caracterização do
personagem Durval, dando-lhe valores acima do esperado. Por outro lado não
poderia deixar de fixar-se na proposição ética de tornar Cafuné o autêntico
trabalhador, vítima preferida pela Justiça (expulsão de campo). Ademais,
Cafuné revela na sua timidez a vigilância contra o Poder Econômico e Político
(Benigno e Pascoal) preferindo socorrer-se mais até dos seus elementos de
defesa (barba e sortilégios) para ajudar a classe do que a aceitar as ajudas,
sempre duvidosas. O
que desgosta é saber que diretor, atores e crítico não se adequaram, em
regra, às implicações e problemas da peça, deixando de sentir a dura, porém,
simbologia de Oduvaldo Viana Filho. |
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