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Coluna ou Seção: Tablóide Data : 2/8/1990 José
Maria Santos não morreu. Oito meses após aquele trágico 4 de janeiro que, tão
tristemente, marcou o início do ano, quando o mais estimado profissional de
nossos homens de teatro foi sepultado no Jardim da Saudade, seus amigos e discípulos
reúnem-se neste sábado, para lembrá-lo em seus grandes momentos artísticos
e, principalmente, promover uma grande manifestação para que o seu nome seja,
definitivamente, dado ao teatro que idealizou e construiu na Rua 13 de Maio. Embora
as obras de reforma do antigo Teatro da Classe estejam ainda em ponto zero - e
mesmo com toda boa vontade do Banestado em assumir a sua construção,
dificilmente virá a ser concluído, ao menos numa primeira etapa, nesta
administração. Os
jornalistas Ulisses Yarochinski e Jorge de Oliveira e a atriz Claudete Oliveira,
estão entre os 17 jovens que tiveram em José Maria Santos, quando alunos da
antiga Escola Técnica Federal do Paraná, mais do que o professor de cadeira
(optativa) de teatro, o amigo e orientador que soube fazê-los aprender a
conhecer a beleza do teatro - e que organizam, agora, esta manifestação. Ulisses
Yarochinski, 31 anos, jornalista e ator, redator do "Jornal do Estado"
- cujo editor de arte, Ruy Barroso, tem sido um dos grandes batalhadores pelo
movimento em favor de que o nome de José Maria Santos seja, o quanto antes,
oficializado para o teatro, recorda: -
"Quando estudava telecomunicações na Escola Técnica foi que comecei a me
interessar por teatro. Graças a José Maria, aprendi muito. Além de algumas
montagens do Teatro dos Estudantes da Escola Técnica - "A Invasão" e
"Os Pequenos Burgueses" - posteriormente participei, nos bastidores
especialmente, de várias outras montagens feitas por José Maria". Integrando
hoje a assessoria de comunicação da Volvo, mas sem ter abandonado o teatro,
Ulisses recorda outra fato importante: -
"Foi também José Maria quem estimulou-me e ao Jorge Oliveira, hoje na
equipe da TV Paranaense, a fazer jornalismo. Eu seria talvez um engenheiro em
telecomunicações, financeiramente mais bem remunerado, mas possivelmente
frustrado, se o José não tivesse sido o amigo certo naquela hora". Com
curso de especialização em jornalismo feito no período 1986/87 na
Universidade de Barcelona, batalhando pelo nosso teatro, Ulisses foi um dos
idealizadores da programação que será apresentada no auditório do Cefet,
neste sábado. Além de uma montagem, em vídeos, longas e curta-metragens - além
de "Mal", último vídeo em que José Maria atuou - serão lidos vários
textos, incluindo uma "autobiografia poética" de "Doce
Primavera", peça de Manoel Carlos Karam que José Maria levou, inclusive,
ao Rio de Janeiro. Dois outros poemas - "O que Passou, Passou" de
Paulo Leminski e "E Agora, José?", de Carlos Drummond de Andrade,
também serão apresentados". .Na
segunda parte do evento, se discutirá a criação de um grupo de ação para
mobilizar a comunidade sobre a justiça de se dar o nome de José Maria Santos
ao teatro que idealizou e praticamente construiu, bem como demonstrar o repúdio
aos medíocres - inclusive da área oficial do "poder cultural" - que,
inexplicavelmente, vem procurando boicotar a homenagem. O
professor Ivo Mezadri, diretor da Escola Técnica Federal do Paraná quando, há
17 anos, José Maria Santos ali iniciou seu trabalho de extensão cultural,
deverá ser uma das presenças. Os organizadores da homenagem - além da viúva
Rute Santos, e seus filhos - também estão esperançosos de que René Dotti,
secretário da Cultura e ator em sua juventude - portanto contemporâneo de José
Maria desde que ele aqui chegou nos anos 50, vindo da Lapa (nasceu em
Guarapuava, mas se considerava lapiano de coração) também compareça. Nos
17 anos em que foi professor na Escola Técnica Federal - José Maria montou
nada menos que 26 peças de teatro, que, direta ou indiretamente, envolveram
mais de 700 jovens. Destes, mesmo que só alguns tenham feito carreira no teatro
(o que não era, aliás, objetivo das atividades), se conseguiu uma coisa muita
importante: despertar o interesse cultural, formando-se, assim, não apenas os
excelentes técnicos de nível médio (e superior) que o Cefet gradua, graças a
ser uma instituição-modelo, mas também pessoas sensíveis à cultura e às
artes. .As
encenações que José Maria Santos fez com o grupo de teatro estudantil
representavam as únicas chances de se levar ao palco textos com dezenas de intérpretes,
impossíveis de serem reunidas em montagens profissionais. Também devido ao bom
preparo técnico dos jovens - e as excelentes instalações da Escola - os cenários,
recursos de iluminação, sonoplastia, etc., também sempre foram esmerados. Motivos
de sobra para que, neste sábado, com emoção, se preste esta homenagem a José
Maria Santos. E que se inicie um plano decisivo para que os frustrados que
tentam reduzir sua importância cultural e artística - inclusive com covardes
mentiras e infâmias - voltem aos esgotos de onde nunca, aliás, deveriam ter saído. |
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