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Coluna ou Seção: Tablóide Página: 3 Data : 14/7/1989 Embora
não seja homem de carregar mágoas, José Maria Santos lamenta um fato: o pouquíssimo
aproveitamento que os artistas paranaenses têm por parte das agências de
publicidade. Especialmente em relação a propaganda oficial, acredita que
poderia haver a maior presença dos nossos artistas. -
"Forma-se aquele círculo vicioso: são prestigiados artistas globais, do
momento, porque são conhecidos. Mas como nossos artistas nunca aparecem - ou
raramente são chamados - continuam a ser desconhecidos". Ironicamente,
lembra José Maria, no início dos anos 50, quando inexistia qualquer
profissionalismo em nosso teatro, existia até uma associação de críticos de
teatro, das quais faziam parte o hoje todo poderoso senhor secretário da
Cultura (René Dotti), então escrevendo no "Diário do Paraná";
Nelson Faria de Barros de "O Estado do Paraná"; P. A. Nascimento, do
"Diário da Tarde" e Rogério Dellê, da "Gazeta do Povo",
entre outros. A cobertura era intensa e havia nomes populares, conhecidos junto
ao público (é bem verdade que inexistia a televisão), capazes de atrair
centenas de espectadores a montagens amadoras que aconteciam em improvisados
palcos da cidade - antes da inauguração do Auditório Salvador de Ferrante, em
dezembro de 1954. Hoje,
raciocina José Maria, mesmo com toda generosidade da imprensa em relação aos
eventos teatrais, não existem artistas locais conhecidos do grande público. São
nomes e rostos anônimos, justamente por uma ausência de maior mídia junto a
televisão - o que poderia, em seu entender, ser obtido se houvesse um maior
prestigiamento ao menos dos homens de publicidade, valorizando nossos
profissionais, "ao invés de pagarem fortunas para trazerem estrelas
globais, de efêmera popularidade obtida através das telenovelas". José
Maria Santos tem muita moral para falar, sempre corajosamente, das dificuldades
de nosso teatro. Afinal, são três décadas e meia de atividades e de uma
participação efetiva. Foi ele que, quando presidente da associação dos
produtores de teatro lutou e trabalhou, até braçalmente, carregando pedras,
tijolos e telhas, para que fosse inaugurado o Teatro da Classe, aberto em 30 de
abril de 1981 com a comédia "A Reputação dos 4 Bicos", de Luís
Groff. Agora,
quando a Secretaria da Cultura, com recursos da Loteria Estadual, anuncia a
implantação definitiva do teatro - totalmente reformado - José Maria nem é
lembrado em seus esforços. Mas foi ele - e isto deve ser dito em alto e bom tom
- quem primeiro lutou para que a antiga malharia não fosse transformada num
estacionamento e ganhasse sua função cultural. Outras pessoas integraram-se a
luta posteriormente e quando a cidade ganhar o novo teatro muitos serão os que
deverão ser lembrados, mas José Maria, com seu pioneirismo, merece um espaço
a parte. .Quando
o Teatro da Classe ficou pronto, há oito anos passados, José Maria esperou que
colegas produtores se animassem a produzir um espetáculo inaugural. Ninguém se
acorajou e o próprio Zé bancou a produção da comédia de Luís Groff que
ficou seis meses em cartaz, com ótimo público. Posteriormente, no restaurante
que funcionava nos fundos do teatro, Zé Maria aproveitou o momento político -
quando da vitória de José Richa e a chamada ascensão dos "pés
roxos" no poder estadual - para a comédia "Nem Gay nem Bicha". A
fórmula do humor político prosseguiria com "Zé Maria Procura Sarney para
se Coçar", outro de seus grandes sucessos. Em compensação, a produção
de "Alegre Desbum", de Oduvaldo Vianna Filho, representou prejuízos
imensos - recuperados, mais uma vez, com uma nova temporada de "Lá",
a exemplo do que faz agora. Com
sua experiência teatral, Zé diz: -
"Sempre que eu escolho um espetáculo a coisa dá certo. Mas quando vou atrás
de sugestões, acabo tendo prejuízos...". |
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