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José
Maria Santos está retornando ao palco do Teatro Guaíra com sua irreverência
de humorista e versatilidade de ator, O espetáculo de humor, política e
safadeza “José Maria Santos Procura Sarney pra se Coçar”; volta renovado,
com novos quadros, acompanhando os acontecimentos políticos, como a eleição
de Álvaro Dias para governador do Paraná, além de conservar outros personagens
que fizeram milhares de espectadores morrerem de rir, como a Polaca que era
candidata à Constituinte, mas não recebeu nenhum voto, ela mesma votou em
branco para não votar em Maurício Nasser; agora a Polaca é candidata á
presidência da República. O espetáculo do Zé Maria estará em cartaz no
Guairinha, sendo às quintas, sextas e sábados com início às 21 horas e aos
domingos, às 20 horas. Na primeira temporada em Curitiba o ingresso custava 50
cruzados com mais 10 cruzados do compulsório; na segunda temporada a entrada
passou para 80 cruzados, ou seja, com 30 cruzados de ágio; mas agora, Zé Maria
resolveu fazer uma temporada popular com ingressos grátis, o espectador paga
apenas o ágio, ou melhor, Cz$ 30,00. As apresentações do show têm o apoio do
JORNAL DO ESTADO e de Ruy 88. Reproduzimos
uma entrevista com José Maria Santos feita por AIdo Schmitz, também um dos
autores do espetáculo “José Maria Santos Procura Sarney pra se Coçar”. AIdo
Schmitz: Pô Zé Maria, Curitiba inteira já assistiu o teu show e agora mais
uma vez em cartaz? Zé
Maria: Apesar que você perguntou mais na brincadeira, vou responder seriamente.
Apesar de Curitiba não ser uma das melhores cidades para a cultura. E, prova
que existe um público para espetáculos teatrais é que eu estou voltando já
pela terceira vez com este show. E pra mim isso não é muita novidade, porque
geralmente o sucesso na vida de um artista acontece uma vez só. Duvido que um
artista por mais famoso que seja, ter conseguido mais de um grande sucesso. E eu
felizmente tive um grande sucesso com o monólogo de Sérgio Jockyman, ‘Lá’
que eu ainda continuo fazendo há dez anos, já completei 1600 apresentações.
E este show, nós fizemos assim meio sem pretensão, mas preocupados em fazer um
espetáculo engraçado e de bom nível artístico e o resultado está ai. Eu
estou acreditando que já está acontecendo na minha carreira de ator dois
grandes sucessos. Estou voltando para a terceira temporada do show no Teatro Guaíra
e acredito que vai ter muito mais sucesso que as anteriores. AIdo
Schmitz: Entre os vários quadros do show, um é somente com piadas, por que você
colocou piadas no show? E, é fácil fazer rir? Zé
Maria: Colocamos as piadas no inicio do espetáculo, não somente para que os
atrasados não percam o fio da meada, mas principalmente para
descontrair o espectador. Discordo desta teoria de que fazer humor é fácil.
Inclusive o humorista no mundo inteiro é uma espécie em extinção,
praticamente não existe mais grandes atores comediantes. Agora, no nosso show
nas primeiras apresentações não tinham as piadas, eram só os quadros. Então
para quebrar o gelo, para o público relaxar, inserimos algumas piadas
interessantes. Enfim, ficou um espetáculo com alguma inovação, porque não
segue o roteiro destes shows de humor convencionais. Tanto que este nosso show
foi reescrito umas dez vezes, e continua sendo recriado, para acompanhar as
mudanças da política, da economia etc. E quem trabalha com humor e não tem
esta disposição de mexer no texto constantemente, corre o risco de apresentar
um show ultrapassado. Aldo
Schmitz: Tem o quadro do Caipira, escrito pelo Valência Xavier, ainda o
Analista de Bagé e o quadro da Polaca candidata a Presidente. E daí Zé, você
está assumindo? Como
é esse lance de fazer uma mulher? Zé
Maria: Acho que não é uma questão de assumir. Corno diz o Jânio Quadros,
“todo homem tem o seu lado fêmeo”. E o ator,
principalmente o comediante tem que experimentar todas as facetas cênicas, da
vida. É um dos quadros mais engraçados, o da Polaca, que era candidata à
Constituinte, não foi eleita, mas já é candidata à Presidência da República.
Acho que é um direito que ela tem, afinal tantos corruptos querem ser
presidente e por que não uma lavradora? Eu gosto de fazer tudo no show, mas na
personagem da Polaca eu me sinto bem. E o cara não precisa desmunhecar quando
faz uma mulher. Faço o papel de urna mulher, mas tenho trejeito, aí é que
fica a graça, um ator meio rude como eu, fazendo uma mulher sem desmunhecar. Fazer
a caricatura do feminino é uma coisa fácil e sem graça. Aldo
Schmitz: O show está rendendo milhões, eu queria saber quando os autores vão
receber os direitos autorais? Zé
Maria: Os autores já receberam adiantado, você mesmo, que é um dos autores,
ganhou um castelo na Suíça que pertenceu ao conde Drácula e o Valêncio
Xavier recebeu dois sítios, um na Lapa, que pertencia ao monge da Lapa e outro
em Morretes, ele vai ser vizinho do Aluizio Cherobim. Inclusive os autores estão
pagos até o ano 2000. E não é qualquer ator que tem dois escritores à sua
disposição diariamente. Aldo
Schmitz: Você é um grande amigo do Álvaro Dias, sei que você está magoado
com o nosso governador eleito, porque ele te prometeu a Secretaria da Cultura e
no fim, deu para o doutor Renê Dotti. E agora o que vai sobrar pra você? Zé
Maria: Mas eu não queria realmente, aliás, ele acertou em convidar Renê. O Álvaro
confundiu-se porque o Renê Dotti fez teatro comigo e na hora dele escolher, ele
viu um álbum de fotos onde apareciam o Renê, eu, o Ary Fontoura e enganou-se
na escolha e não quis voltar atrás. E pra mim vai sobrar a amizade. E que
fique bem claro, não é amizade colorida. Aldo
Schmitz E quanto ao ingresso? Primeiro você cobrou 50 cruzadas com 10 de
compulsório, depois cobrou um ágio de mais 30, passando o ingresso a 80
cruzados. E agora você vem com essa de apenas 30 pau. Qual é, você quer
fundir a cabeça da Sunab, quer bagunçar com o Plano
Cruzado, pô? Zé
Maria: Acho que é pra bagunçar no bom sentido. Se o Governo não tem competência
para governar, vamos nós baixar os preços, para provar que dá certo. E você
vê como eu ganhei dinheiro! Se agora estou cobrando só o ágio da temporada
passada, 30 pau, então imagine quanta grana que eu faturei cobrando 80 pau. Então
eu posso abrir mão de um pouco desse lucro que eu tive nas temporadas anteriores
em beneficio do público. E gostaria que as pessoas que normalmente não vão ao
teatro fossem assistir o nosso show, afinal o ingresso é grátis o espectador só
paga o ágio. Aldo
Schmitz: Zé, como pode um cara baixinho, feio, que fala enrolado, ser o
melhor ator paranaense? Zé
Maria: Acho que ser o melhor ator paranaense não é vantagem nenhuma, pô.
Agora, em terra de cego quem tem um olho é rei (risadas, ah, ah). Eu não sou o
melhor ator paranaense, você está muito equivocado, sou o melhor ator do
mundo. Inclusive eu estava dividindo o título com Marlon Brando e ele mandou
uma carta na semana passada dizendo que, frente ao meu talento, ele abria mão,
deixando só pra mim este título. Aldo
Schimitz: Afinal, pra que serve aquelas tabelas que a gente levava para as
compras? E o empacotador Dilson Futuro, qual será o fim dele? Vai terminar na
seção de pacotes da Loja do Pedro? Zé
Maria: Acho que o futuro mesmo do Funaro é acabar como empacotador da Loja do
Pedro. Realmente esse Plano Cruzado foi uma enganação, a tal da tabela agora não
serve nem pra papel higiênico. Aldo
Schmitz: Por que você colocou o Presidente Sarney no elenco do show? Zé
Maria: Nas primeiras temporadas do show era difícil fazer piada com o Sarney,
porque ele virou, num passe de mágica, num santo, mas de repente veio o compulsório
– inclusive também uma piada tua, que compulsório no dos outros é refresco
–, depois o Plano Caracu, onde o Governo entrou com a cara e o povo com o
resto; então o Sarney acabou desmoralizado. Agora ele é muito engraçado! Aldo
Schmitz: Diga aí Zé, é mentira que você tem um harém de mulheres, castelos
espalhados por todo o mundo, mansões na Líbia, um sítio na Lapa, é sócio do
Pinochet numa multinacional no Chile. Zé
Maria: Não, não é mentira, é verdade. E cometeram mais uma infâmia
comigo, sendo que eu também tenho uma Ilha no Golfo Pérsico entre o Irã e o
Iraque, inclusive estou financiando parte daquela guerra, quero que o Irã vença,
assim eu faço um cambalacho com o Khomeini, antes que ele morra. Aldo
Schmitz: No show anterior você tinha no elenco o Ney Braga e o José Richa, em
“Nem Gay nem Bicha”, agora você está com a Sarney. Qual vai ser a tua próxima
vítima? Zé
Maria: Se a situação do Brasil continuar assim por uns cinquenta anos, acho
que vou continuar a fazer este show, porque quanto pior a situação, melhora o
humor. |
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